O rei Charles 3º disse nesta terça-feira (3) aos líderes da Commonwealth que sua maior compreensão da "injustiça monstruosa" da escravidão o deixou mais determinado a enfrentar as injustiças do passado, mas afirmou que era preciso olhar para o futuro e garantir que "o mal não precisa dar a última palavra.
Os preparativos para o encontro dos 56 Estados-membros, em sua maioria ex-colônias britânicas, têm sido dominados pelo debate sobre se o Reino Unido deveria pedir desculpas ou pagar reparações pelo papel que desempenhou no tráfico transatlântico de escravizados.
Embora nem o rei nem Londres tenham até agora apresentado tal pedido de desculpas ou discutido o pagamento de reparações, tanto Charles 3º quanto o novo primeiro-ministro, Andy Burnham, falaram em usar a Commonwealth para atender às necessidades atuais, oferecendo apoio nas áreas de mudanças climáticas, educação e saúde.
Burnham também foi além de seus antecessores ao dizer que estava aberto à possibilidade de seu país pedir desculpas pela escravidão. Autoridades mantinham conversas com líderes nacionais durante a cúpula em Antígua e Barbuda para discutir que forma esse gesto poderia assumir.
Não podemos mudar as ações daqueles que vieram antes de nós", disse Charles 3º, chefe da Commonwealth, aos líderes em seu discurso de abertura. "Podemos, no entanto, aprender com o passado.
Charles afirmou que, quanto mais "aprofundei minha própria compreensão dessas questões, ouvindo, aprendendo e observando", mais comprometido ficou em encontrar formas de os diferentes países construírem parcerias modernas capazes de enfrentar as injustiças do passado.
O tráfico transatlântico de pessoas escravizadas ainda lança sua sombra sobre estas ilhas e outros integrantes de nossa Commonwealth. Como já disse antes, esse capítulo vergonhoso da história enche meu coração de horror e minha alma da mais profunda tristeza pessoal", disse o rei.
Ele citou o acesso à educação, empregos e oportunidades, além do comércio entre os países da Commonwealth e da resistência ao aquecimento global, como formas de ajudar aqueles "que lutam contra as dificuldades e a desigualdade.
Pois, como sabe qualquer marinheiro que navega pelos mares, não podemos controlar os ventos, muito menos o destino ao qual os ventos de ontem nos levaram —mas podemos escolher como ajustar nossas velas", disse Charles.
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