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Pela primeira vez, latino-americanos gostam mais da China do que dos Estados Unidos, diz pesquisa

Parcela de apoiadores de Washington caiu 10% em dois anos, e 35% acreditam que a intervenção na Venezuela é boa

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Nos 20 meses desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, candidatos de direita venceram as sete eleições presidenciais realizadas na América Latina. Muitos deles concorreram como imitadores de Trump, vociferando contra a imprensa e o "marxismo cultural.

Por isso, a mais recente pesquisa Latinobarómetro, realizada em 17 países e publicada com exclusividade pela The Economist, é intrigante: a visão dos latino-americanos sobre os Estados Unidos piorou desde a volta do republicano.

A parcela que tem uma opinião favorável caiu de 73% em 2024 para 63%. Os EUA ainda são mais benquistos do que a China. Mas, pela primeira vez em uma região historicamente pró-americana, os latino-americanos veem a influência chinesa de maneira mais favorável do que a americana: 65% a consideram positiva, ante 57% no caso dos Estados Unidos.

Isso reflete a postura agressiva de Trump em relação a uma região que, na visão dele, seu país deveria dominar. Embora 69% aprovem a captura do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, organizada por Trump em janeiro, apenas 35% acreditam que a intervenção americana beneficiará o país.

Quase dois terços desaprovam a maneira como ele conduz as relações internacionais (embora 61% dos entrevistados venezuelanos a aprovem).

A eleição simultânea de direitistas trumpistas pode ser explicada, em parte, por outra constatação da pesquisa: Nayib Bukele, o presidente linha-dura de El Salvador, continua sendo a figura mais admirada da região.

Bukele reduziu drasticamente a taxa de homicídios de El Salvador ao prender um grande número de jovens sem julgamento, apropriando-se, nesse processo, do controle das instituições democráticas.

Muitos na América Latina querem uma erradicação semelhante do crime e da insegurança. Os candidatos trumpistas, como Abelardo de la Espriella, hoje presidente da Colômbia, prometem realizá-la.

Apesar da popularidade do autoritário Bukele, metade dos entrevistados continua acreditando na democracia.

Depois de despencar em meados da década de 2010, quando a estagnação econômica se instalou após o fim de um boom das commodities, o apoio à democracia e a suas instituições se estabilizou, embora em um patamar mais baixo.

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