Decisão do Conselho de Segurança prorroga presença de batalhão multinacional até final de março; eleições presidenciais estão previstas para dezembro deste ano e fevereiro de 2027, mas violência generalizada e influência dos criminosos no processo político pode inviabilizar a votação.
Nesta terça-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu prolongar, por mais seis meses, o mandato da Força de Combate a Gangues no Haiti, GSF, ou seja, até 31 de março de 2027.
A decisão também solicita que o secretário-geral da ONU continue prestando apoio logístico e operacional por meio do Escritório de Apoio da ONU no Haiti.
Além disso, fica decidido que o líder da ONU deve informar o Conselho de Segurança, a cada seis meses, sobre o progresso das autoridades haitianas em desenvolver suas próprias capacidade de segurança.
Isso inclui controle de fronteiras para combater o tráfico ilícito de armas, munições e entorpecentes, com o objetivo de preparar a transição de tarefas e responsabilidades para o Governo do Haiti após a saída da GSF.
A decisão do Conselho enfatiza que as autoridades haitianas têm a responsabilidade de enfrentar as causas estruturais da instabilidade. Isso significa combater a corrupção e realizar reformas nos sistemas de governança, além de enfrentar o fluxo de armas ilegais para o país.
O Haiti continua enfrentando uma grave crise política, de segurança e humanitária, com gangues mantendo controle sobre partes significativas da capital, Porto Príncipe, e em três dos 10 departamentos do país.
Em 2025, por meio da resolução 2793, o Conselho de Segurança autorizou a criação da Força de Combate a Gangues, GSF, que é liderada por Estados-Membros, mas não constitui uma operação de manutenção da paz das Nações Unidas.
A GSF realiza operações de combate a gangues, em conjunto com a Polícia Nacional e as Forças Armadas do Haiti.
Relatos recentes indicam que a violência, o deslocamento populacional e os ataques contra civis permanecem generalizados.
No plano político, a transição concentra-se no restabelecimento da governança constitucional por meio de eleições.
O Conselho Eleitoral Provisório agendou oficialmente o primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas, juntamente com uma revisão constitucional, para 13 de dezembro de 2026.
Embora as operações das Forças de Segurança busquem criar as condições necessárias para eleições credíveis e inclusivas, existem preocupações quanto à influência de gangues nos processos políticos, o que pode inviabilizar a votação.
A decisão do Conselho de Segurança desta terça-feira também reconhece com profunda preocupação a proporção significativa de integrantes de gangues que são crianças, em decorrência de recrutamento forçado.
A resolução aprovada reconhece a importância da proteção para crianças detidas por suposta associação com grupos armados.
O documento apoia também a criação de programas de reintegração adaptados, apoio psicossocial e acesso à educação para crianças anteriormente associadas a gangues.
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