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O preço que o mundo paga ao excluir mulheres da liderança

A falta de mulheres à mesa de decisões não é apenas uma questão de representatividade, mas limita soluções, reduz eficiência institucional e perpetua desigualda

4 min de leitura
O preço que o mundo paga ao excluir mulheres da liderança

A falta de mulheres à mesa de decisões não é apenas uma questão de representatividade, mas limita soluções, reduz eficiência institucional e perpetua desigualdades; mulheres na liderança ampliam perspectivas e garantem respostas eficazes para desafios globais.

Há duas décadas, uma missão de segurança na fronteira entre Israel, Gaza e Egito realizada pela União Europeia ocorreu sem a presença de nenhuma mulher.

O erro custou caro: a ausência feminina no planejamento resultou no envio de uma tropa 100% masculina, criando um impasse quando mulheres civis precisavam ser revistadas no local. Este é um dos diversos exemplos do custo real da exclusão de mulheres.

Quando decisões estratégicas são tomadas sem a presença feminina no topo, as consequências vão além da teoria e geram falhas operacionais concretas.

De acordo com a diretora executiva interina da Global Women Leaders Voices, Cristina Gallach, garantir mulheres em posições de autoridade e planejamento é fundamental para evitar pontos cegos em qualquer instituição.

Desde o início de carreira no jornalismo nos anos 1980, Gallach vivenciou a disparidade de gênero no mercado de trabalho.

Na época, a apuração de campo era feita por mulheres, mas as decisões executivas ficavam restritas aos homens.

Foi apenas quando atuou sob a liderança de uma editora-chefe em Moscou, período que descreveu como exigente, porém formativo, que teve a oportunidade de evoluir profissionalmente.

Depois, sob a gestão do ex-secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sua ascensão na diplomacia e no serviço público foi impulsionada por redes de apoio e mentorias femininas.

Foi nessa época que chefiou a primeira estratégia de igualdade de gênero no então Departamento de Informação Pública da organização, regulando a forma como a ONU retratava questões de gênero globalmente.

Gallach relata que sente muito orgulho de levar mulheres a cargos de liderança por meio de processos de capacitação e ações específicas para prepará-las a ter mais autoconfiança e a se candidatarem a essas posições.

Onde políticas públicas e programas de capacitação são aplicados, o cenário muda rapidamente.

Na Tanzânia, milhares de mulheres atuam no trabalho doméstico informal.

O Sindicato dos Trabalhadores em Conservação, Hotéis, Domésticos e Setores Afins, Chodawu, com apoio da ONU e OIT, capacitou mais de 1,2 mil trabalhadoras com certificações vocacionais e programas de liderança.

A iniciativa tem mudado o estigma da profissão e fortalecido a presença feminina nos órgãos de decisão do próprio sindicato.

Já no Marrocos, a secretária-geral de Formação Profissional do Ministério do Emprego, Wafa Asri, implementou o programa Direction Femmes para preparar servidoras para cargos seniores.

A iniciativa elevou a representação feminina na liderança do Ministério de menos de 20% para cerca de 35%.

Na participação no mercado de trabalho, apenas 48% das mulheres estavam do mercado de trabalho formal em 2025, contra 73% dos homens, segundo a Organização Internacional do Trabalho, OIT.

O salário delas é, em média, 23% menor que os homens e assumem mais de três quartos do trabalho de cuidado não remunerado no mundo.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, as mulheres ocupam cerca de 38% dos cargos de gerência e pouco mais de 31% das posições de liderança globalmente.

A diretora do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Acnudh, Peggy Hicks, reconhece que, para muitas pessoas do sexo feminino, a possibilidade de ocupar posições de autoridade não existe.

Para líderes como Cristina Gallach, que participou da elaboração da primeira Política Externa Feminista da Espanha, a inclusão feminina em posições de coordenação exige combate contínuo a retrocessos.

A eliminação de barreiras estruturais demanda marcos legislativos de igualdade e paridade salarial, infraestrutura de apoio, como serviços de cuidado infantil e horários flexíveis e redes de mentoria e ambientes de trabalho seguros contra violência e assédio.

Gallach afirma que é um momento complicado para os temas de igualdade. Há retrocessos em várias frentes e apenas com o suporte mútuo será possível superá-los.

Fontes

Informação baseada em material público de ONU News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

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