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Corumbá - MS | Domingo, 1 de novembro de 2026 | 12:51

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O Federal Reserve cometeu um erro ao manter a taxa de juros?

Custo de vida é a principal preocupação dos eleitores que se preparam para ir às urnas nos Estados Unidos, com alta de preços ao consumidor 3,7% maiores nos últ

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O custo de vida é a principal preocupação dos eleitores que se preparam para ir às urnas para as eleições de meio de mandato nos EUA, mas o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) avaliou o persistente problema de inflação do país na quarta-feira (28) e decidiu não tomar nenhuma medida para combatê-lo.

  • Governo de Trump pode virar um "pato manco" com midterms, diz especialista.
  • Novos dados desafiam avaliação do Fed sobre desempenho da economia.
  • Trump critica Fed por manter juros e comemora PIB dos EUA.

Pelo menos nas próximas seis semanas. Apesar de os preços ao consumidor terem subido 3,7% nos últimos 12 meses e de o indicador de inflação preferido do Fed permanecer 50% acima da meta da autoridade monetária, a decisão de manter os juros inalterados já era amplamente esperada.

Isso porque alterar as taxas de juros é um instrumento pouco preciso, capaz de provocar danos significativos à economia quando utilizado no momento errado ou de maneira inadequada.

Ao optar por esperar, no entanto, o Fed também está assumindo um risco considerável. O banco central pode repetir o erro de 2021, quando acreditou que seria possível derrotar o monstro da inflação, que já estava diante dos olhos da economia, simplesmente ignorando-o.

(E o Fed estava completamente errado.) Desta vez, a situação pode realmente ser diferente, e a decisão de não agir precipitadamente pode se mostrar acertada. Ou pode obrigar o banco central a submeter a economia a um tratamento de choque em dezembro, que talvez pudesse ter sido evitado com uma elevação dos juros em outubro.

Por que o Fed não aumentou os juros? Emprego Aumentar os juros eleva os custos de empréstimos para as empresas, deixando menos recursos disponíveis para contratações.

Este pode ser um momento delicado para interferir no mercado de trabalho: a economia dos Estados Unidos criou apenas 29 mil vagas em setembro, número bem abaixo das expectativas.

O relatório também mostrou que a economia gerou 60 mil empregos a menos nos dois meses anteriores do que havia sido estimado inicialmente. O mercado de trabalho está longe de uma situação ruim, mas vem apresentando sinais de fragilidade.

A economia americana perdeu 10 mil vagas em julho e registrou saldo negativo em sete dos últimos 16 meses. Embora a taxa de desemprego permaneça em um nível relativamente saudável, de 4,2%, economistas descrevem o cenário como um mercado de trabalho de "poucas contratações e poucas demissões.

Em outras palavras, seu emprego pode não estar ameaçado, mas, se você decidir sair, poderá ter dificuldade para encontrar uma nova oportunidade. Mercados Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram desde o último aumento de juros do Fed, chegando, em determinado momento, aos níveis mais elevados em várias décadas.

Desde então, recuaram um pouco e voltaram ao patamar de meados de setembro. Ainda assim, os rendimentos relativamente elevados dos títulos podem dar margem de manobra ao Fed, porque produzem um efeito semelhante ao da taxa básica de juros: desaceleram a economia e a inflação.

O Fed também não gosta de surpreender os investidores, mesmo na nova era de Warsh, em que se procura manter o mercado em dúvida sobre os próximos passos da política monetária.

Segundo a ferramenta FedWatch, da CME, o mercado precificava uma probabilidade de 91% de manutenção dos juros. Uma elevação poderia ter provocado um doloroso reajuste nos mercados.

Momento político A decisão do Fed também pode ter sido influenciada, ao menos em alguma medida, pela proximidade das eleições. Narayana Kocherlakota, ex-presidente do Federal Reserve de Minneapolis, disse ao meu colega Matt Egan que o Fed hesitou em elevar os juros na quarta-feira porque queria se proteger das críticas do presidente Donald Trump.

Mas, ao longo de sua história, o banco central já alterou as taxas diversas vezes justamente quando os eleitores se preparavam para votar, como também observou minha colega Elisabeth Buchwald.

Por que manter os juros pode ser um erro O erro de considerar a inflação "transitória": Normalmente, o Fed não intervém quando choques de oferta, como a crise energética provocada pela guerra com o Irã, causam inflação.

Esses choques costumam ser temporários, difíceis de prever e pouco sensíveis a mudanças nas taxas de juros. Mas, às vezes, os choques de oferta desencadeiam problemas maiores, que o Fed pode ajudar a resolver.

A autoridade monetária deveria saber disso: acabou de passar por uma situação semelhante. Quando a economia começou a se recuperar da pandemia, o Fed cometeu um erro em sua avaliação da inflação.

A autoridade atribuiu a alta dos preços a um choque de oferta "transitório", relacionado à guerra entre Rússia e Ucrânia e aos graves problemas nas cadeias de abastecimento.

O problema acabou se transformando na mais significativa crise inflacionária de uma geração. Surpreendido, o Fed foi obrigado a elevar os juros em um ritmo histórico, com três aumentos consecutivos de 0,75 ponto percentual.

No fim, o banco central conseguiu reduzir a inflação descontrolada a níveis mais administráveis, mas não antes de os preços ao consumidor atingirem uma alta anual de 9,1%, o maior patamar em quatro décadas.

Desta vez, a situação pode não ser diferente: a inflação já está se espalhando para outros setores da economia. Um dos pontos particularmente preocupantes do relatório de inflação ao consumidor de setembro foi a inesperada retomada da alta dos custos de moradia e aluguéis, um componente importante da inflação que havia desacelerado durante a primavera e o verão no Hemisfério Norte.

Os preços de outros serviços também subiram mais do que o esperado. São custos que tendem a aumentar e permanecer elevados à medida que academias de ioga, empresas de jardinagem e outros prestadores de serviços repassam aos clientes suas despesas crescentes.

Outro fator que impulsiona a inflação são os investimentos em centros de processamento de dados e em tecnologias que alimentam a inteligência artificial. Esses aportes aceleraram a economia e podem até ter contribuído para seu superaquecimento.

Como consequência, subiram os preços da eletricidade, dos materiais de construção, da mão de obra e de produtos tecnológicos de uso pessoal, como smartphones e notebooks.

Mais guerra? A disparada dos preços da energia pode piorar antes de melhorar. Trump deu fortes indicações de que os Estados Unidos e Israel poderiam intensificar a guerra contra o Irã após as eleições de meio de mandato, o que poderia pressionar ainda mais os preços do petróleo.

Seria imprudente o Fed tomar uma decisão com base em rumores. Além disso, os preços da energia podem recuar rapidamente. Um exemplo é o anúncio do governo Trump sobre um cessar-fogo energético envolvendo a Rússia, que vem sendo respeitado de maneira surpreendente.

A medida aumentou significativamente a produção de diesel russa nas últimas semanas e poderia provocar uma queda expressiva nos preços globais do combustível, caso a Ucrânia continue suspendendo seus ataques com drones às refinarias russas.

Mas a prolongada alta dos preços da energia já está encarecendo produtos e serviços em toda a economia. Adiar novamente o aumento dos juros pode fazer com que o Fed fique para trás no combate à inflação.

O risco de deixar a situação sair do controle. Os aumentos dos juros produzem efeitos com atraso, e mudanças mais bruscas podem provocar consequências prejudiciais para o sistema financeiro, os mercados e a economia.

Como no exemplo do sapo na panela, a economia tende a permanecer na água mesmo quando a temperatura aumenta gradualmente. Se a guerra com o Irã e o conflito entre Rússia e Ucrânia voltarem a se intensificar, o Fed poderá ser colocado em uma situação difícil na próxima reunião, em dezembro.

O banco central talvez precise elevar os juros mais do que o esperado, possivelmente em 0,5 ponto percentual, como uma espécie de compensação pelo tempo perdido.

Os aumentos expressivos e consecutivos dos juros ao longo de 2022 provocaram a maior queda anual do mercado de ações desde a crise financeira e congelaram o mercado imobiliário.

Mas a economia não entrou em recessão — um resultado que o Fed raramente consegue alcançar quando eleva as taxas de juros. Não é uma aposta que muitos economistas estejam dispostos a fazer novamente.

Por que o Fed não aumentou os juros.

Por que manter os juros pode ser um erro.

Mas, às vezes, os choques de oferta desencadeiam problemas maiores, que o Fed pode ajudar a resolver. A autoridade monetária deveria saber disso: acabou de passar por uma situação semelhante.

Em números

  • O relatório também mostrou que a economia gerou 60 mil empregos a menos nos dois meses anteriores do que
  • A economia americana perdeu 10 mil vagas em julho e registrou saldo negativo em sete

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