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Memória compartilhada, urna dividida em Israel

População atribui culpa do 7 de Outubro a Netanyahu, mas não há convergência em torno de uma alternativa de poder

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Três anos após a tragédia de 7 de Outubro e a menos de três semanas das eleições, Israel se vê diante de um profundo paradoxo político.

  • Parentes e sobreviventes do ataque do Hamas tentam vaga no Parlamento de Israel.
  • Como a guerra aumentou a violência sexual e os casamentos forçados de meninas e mulheres em Gaza.
  • Ver Netanyahu fora do poder seria renovação espiritual para Israel, diz brasileiro-israelense.
  • Não quero mais continuar aqui', diz jornalista de Gaza após três anos sob ataques.
  • Extração póstuma de esperma de soldados de Israel cresce após 7 de Outubro.

Embora a maioria da população atribua à liderança do país a responsabilidade pelo colapso daquela data, a crítica não se traduz em consenso nas urnas nem em convergência em torno de uma alternativa de poder.

A tragédia, ao que parece, transformou-se em uma memória nacional compartilhada, mas a conclusão política extraída dela permanece fraturada e dividida.

A diferença indica que a ruptura opera dentro de um sistema de identidades e lealdades políticas rígidas que já existiam antes dela. O 7 de Outubro não apagou os campos políticos, tampouco criou novo universo conceitual; em vez disso, conferiu um significado diferente e crítico aos valores e questões que já mobilizavam o eleitor israelense.

Agora, a percepção da segurança está vinculada ao grau de confiança, o serviço público é medido pela equidade, a economia é avaliada em relação ao custo da guerra, e a democracia é testada pela capacidade de aprender e corrigir.

As eleições de 27 de outubro serão realizadas dentro dessa matriz de considerações.

Outra evidência: na pesquisa de setembro do Instituto Israelense de Democracia, 68% dos entrevistados afirmaram que os acontecimentos do 7 de Outubro são centrais em sua decisão de voto.

Mas esse número não aponta para uma única direção política.

O mesmo acontecimento pode fortalecer a exigência de mudança de governo e, na mesma medida, consolidar o apoio à continuidade do emprego da força ou reforçar a fidelidade a um líder percebido como alguém que se mantém firme diante da pressão internacional.

Ou seja, não basta perguntar o que os israelenses lembram: é preciso entender como escolhem interpretar essa memória. Nesse contexto, o Índice de Segurança Nacional do think tank INSS de setembro revela que 61% da população manifesta satisfação com a condução da guerra pelas Forças Armadas de Israel, contra apenas 34% que dizem o mesmo em relação ao governo.

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