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EUA ameaçam Irã com isolamento econômico 'como o mundo nunca viu'

Nova escalada de pressão norte-americana ocorre em meio a impasse na guerra no Oriente Médio, que está perto de completar seis meses sem previsão de ser finaliz

3 min de leitura
EUA ameaçam Irã com isolamento econômico 'como o mundo nunca viu'

Prazo de 60 dias do Memorando de Entendimento para terminar guerra entre EUA e Irã se aproxima do fim com um impasse.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ameaçou o Irã com um isolamento econômico "como o mundo nunca viu", indicando que o governo Trump está disposto a exercer uma nova rodada de pressão para finalizar a guerra no Oriente Médio.

A nova escalada verbal acontece enquanto a guerra, desencadeada no fim de fevereiro com a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o regime iraniano, está perto de completar seis meses sem perspectiva de ser finalizada.

A fala também marca uma mudança de tom, já que no início de agosto o governo Trump falava em um acordo iminente para reabrir o Estreito de Ormuz.

O tom mudou em questão de dias. Em 4 de agosto, o próprio Bessent mencionou um possível acordo com Teerã "hoje ou amanhã" para reabrir a passagem estratégica para o comércio mundial de combustíveis.

Temos conversas muito boas", afirmou naquele mesmo dia o presidente dos EUA, Donald Trump, ao assegurar que o Irã queria alcançar um acordo.

As declarações tranquilizadoras provocaram uma alta da Bolsa de Wall Street e a queda dos preços do petróleo, apesar da estagnação das negociações.

Em meados de junho, Teerã e Washington assinaram um acordo de paz preliminar, porém o documento ruiu no início de julho com novas trocas de ataques entre os dois países e, desde então, Trump tem enfrentado dificuldades para encontrar uma saída negociada do conflito diante das exigências do regime iraniano.

Trump disse no início de agosto que qualquer acordo deveria incluir a abertura "completa e total" de Ormuz e "o fim da ameaça nuclear iraniana". Mas, agora, o presidente americano parece privilegiar uma abordagem baseada na pressão econômica.

O Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo mundial antes da guerra, continua sendo o principal ponto de divergência. Na prática, a passagem está fechada pelo Irã.

Teerã exige que os navios recebam uma autorização para utilizar a via e pretende impor, a longo prazo, taxas de serviço, algo que Washington rejeita.

Agora, com uma mudança de abordagem, as armas nucleares, o principal motivo que Trump apresentou para iniciar a guerra ao lado de Israel, parecem ter ficado em segundo plano.

Bessent, por sua vez, apresentou na quinta-feira a estratégia contra Teerã como a combinação de duas medidas: asfixia financeira e bloqueio físico, citando como comparação Cuba e Venezuela.

A Venezuela entrou em colapso imediatamente quando impusemos o bloqueio", afirmou.

No início da semana, Trump afirmou que um acordo para reabrir o estreito era iminente. Agora, seu governo, com a diplomacia paralisada, parece acreditar que o sofrimento econômico levará o Irã a ceder.

O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, acusou na quinta-feira os Estados Unidos de "cálculos ruins" relacionados a falhas de inteligência. "Um exemplo: a guerra contra o Irã.

Agora, um erro de cálculo ainda mais grave sobre o Estreito de Ormuz", escreveu o chanceler no X.

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