Parece que, até abril, sabe, em tese, quando o tempo esquentar um pouco, isso vai desaparecer milagrosamente.
Foi o que o presidente Donald Trump disse sobre o surto de Covid-19 em 10 de fevereiro de 2020, cerca de um mês antes de a doença obrigar nosso país e o mundo a enfrentar um longo confinamento.
Por que me lembro disso? Porque, quando penso nas maiores catástrofes que cobri —incluindo o 11 de Setembro e a Covid-19—, chama minha atenção o fato de elas terem algo muito importante em comum: uma falha de imaginação.
É claro que especialistas do governo se prepararam, em tese, para esses acontecimentos, mas, na prática, quantos deles imaginaram que terroristas suicidas lançariam aviões comerciais contra o World Trade Center e o Pentágono.
E quantos imaginaram que um vírus respiratório surgido em Wuhan, na China, mataria milhões de pessoas e arrastaria a economia mundial para baixo durante anos.
Assim, hoje, diante da possibilidade de que a inteligência artificial, que está caindo nas mãos de agentes inescrupulosos e começando a manifestar vontade própria, possa se tornar incrivelmente desestabilizadora, minha imaginação está plenamente desperta.
Eis o que minha imaginação está me dizendo. Ela diz que as big techs dos Estados Unidos e de Pequim não estão sendo francas conosco sobre quão pouco até elas compreendem o poder e o alcance dos modelos que desenvolveram em seus laboratórios, como feiticeiros.
E diz que há tanta coisa em jogo —econômica, militar e tecnologicamente— e tão pouca confiança entre Washington e Pequim que seria preciso um milagre para os países chegarem a um acordo sobre o tipo de colaboração profunda necessária para neutralizar as ameaças mais aterrorizantes representadas pela IA.
Ainda não é tarde demais, porém, para uma reformulação radical antes que aconteça algo muito ruim, obrigando todos os envolvidos a fazer coisas que jamais imaginaram —coisas que terão de fazer em meio a uma crise de grandes proporções impulsionada pela IA.
Prefiro ser lembrado como o porquinho que gritava sobre o "lobo mau" quando ele nunca apareceu do que como alguém que foi devorado por ele. Então, lá vai: "Olha o lobo mau.
Vou baixar a guarda quando vir as superpotências começarem a enfrentar a ameaça imediata unindo forças para defender infraestruturas críticas —sistemas de abastecimento de água, redes elétricas, a internet— em seus próprios países e no mundo inteiro.
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