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Desgastado, premiê da Espanha tenta fazer de protestos por habitação uma vitória no Congresso

Governo de Pedro Sánchez, acometido também por crise de Ceuta, conta com pressão popular para votação-chave

2 min de leitura
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Desgastado pela crise migratória em Ceuta, em que mais de 70 mil pessoas cruzaram irregularmente a fronteira do exclave espanhol em julho, e por uma sucessão de investigações de corrupção, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez tenta usar a comoção social pelo acesso à habitação para recuperar capital político.

Aproveitando o embalo de uma série de protestos, que levam milhares de pessoas às ruas, o Executivo publicou dois decretos que alteram várias regras do mercado habitacional, um tema historicamente divisivo na Espanha.

O objetivo é contar com a pressão popular para garantir os votos para a aprovação, em sessão marcada para a próxima sexta-feira (2).

Sem maioria parlamentar, a atual legislatura de Sánchez, socialista no poder desde 2018, enfrenta uma sucessão de derrotas no Congresso, incluindo a impossibilidade de aprovar o Orçamento de Estado desde 2023.

O governo estava em uma situação muito complicada, com muitas frentes de batalha, sendo a crise em Ceuta a mais grave, que causou muitíssimo desgaste. Os protestos por causa da habitação, apesar de tudo, representam um alívio, um balão de oxigênio, ainda que temporário", avalia Paloma Román Marugán, doutora em ciência política e professora da Universidade Complutense de Madri.

Segundo a pesquisadora, ainda que a situação não seja necessariamente boa para Sánchez, a apresentação dos dois decretos sobre o tema ajuda a passar a imagem de que o governo está fazendo alguma coisa para estancar um problema que atinge duramente os espanhóis.

Desde a última quarta-feira (23), uma série de protestos eclodiu em todo o país após o despejo de Maricarmen Abascal, 87, retirada pela polícia do apartamento em que viveu como inquilina por sete décadas.

Imagens da saída da idosa, que precisou ser removida de maca devido à fragilidade de sua saúde, serviram de estopim para as mobilizações.

A tensão social sobre o acesso à habitação na Espanha já vinha crescendo nos últimos anos, em meio à disparada dos preços dos imóveis. Entre 2015 e 2025, comprar uma casa ficou 80% mais caro.

A subida dos valores de aluguel foi ainda mais expressiva, chegando a 87%.

Em números

  • Desgastado pela crise migratória em Ceuta, em que mais de 70 mil pessoas cruzaram irregularmente a fronteira do ex

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