De bebidas a carnes, passando por frutas, castanhas e produtos da agricultura familiar, o agronegócio brasileiro está reunido nos arredores de Paris para a SIAL, uma das maiores feiras profissionais do setor agroalimentar do mundo.
Ao todo, 156 empresas brasileiras ocupam mais de 2,5 mil metros quadrados de estandes para apresentar seus produtos a compradores do mundo inteiro. A participação reflete a diversidade do setor, reunindo desde grandes exportadores de proteínas animais até pequenas cooperativas da agricultura familiar.
Entre as empresas presentes está a Netto Foods, de São Paulo, especializada em ovos processados. Com mais de 25 anos de mercado, a empresa destina atualmente 90% da produção ao Brasil, mas já está presente em 15 países e quer ampliar sua participação no mercado internacional.
Segundo Clemente, entre as vantagens desse tipo de produto estão a segurança alimentar, a redução do desperdício e uma maior padronização na indústria. “Você tem alguns benefícios.
A questão da segurança alimentar, que é o fator primordial, mas você consegue padronizar suas receitas. Então você consegue controlar os seus processos, controlar os seus custos e evitar desperdício”, acrescenta.
A participação na SIAL também faz parte da estratégia da empresa para ganhar espaço na Europa. “O nosso plano é realmente estar aqui, olhar, ver o que está acontecendo.
As proteínas animais ocupam um lugar de destaque entre os produtos brasileiros apresentados em Paris. O setor de carne bovina participa da feira por meio do projeto Brazilian Beef, desenvolvido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) em parceria com a ApexBrasil.
Segundo Roberto Perosa, presidente da ABIEC, a presença continuada em eventos internacionais é importante para consolidar mercados para o produto brasileiro.
Perosa também destaca o crescimento da capacidade produtiva do setor nos últimos anos. “Veja que há seis anos, em 2020, o Brasil abateu cerca de 30 milhões de animais e processou 30 milhões de bois nos frigoríficos e, no último ano, nós processamos 42,9 milhões, crescemos quase 50%.
Isso mostra a capacidade da produção pecuária brasileira de aumentar a produção, mas também a capacidade da indústria de processar todo esse material”, destaca Perosa.
Ao todo, a SIAL reúne 295 mil profissionais de aproximadamente 194 países. Importadores, distribuidores, varejistas, redes de supermercados, indústrias, restaurantes e hotéis circulam pela feira em busca de fornecedores, produtos e tendências para o mercado de alimentos e bebidas.
Para Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, a dimensão do evento oferece às empresas brasileiras uma oportunidade de estabelecer contatos que podem se transformar em contratos mesmo depois do encerramento da feira.
Uma das novidades da participação brasileira nesta edição é a presença de dez cooperativas da agricultura familiar. Elas apresentam produtos ligados à biodiversidade brasileira, à sustentabilidade, ao comércio justo, à bioeconomia e ao desenvolvimento regional.
Um dos exemplos é a Unicafes, que representa 1. 500 cooperativas brasileiras, reunindo cerca de 6 milhões de pessoas em diferentes regiões do Brasil. Na SIAL Paris, aproximadamente cem produtos orgânicos, entre eles mel, própolis, geleias e proteínas vegetais, integram essa vitrine.
Luciano Monteiro da Silva, conselheiro da entidade, afirma que a variedade comercializada pelas cooperativas é ainda maior.
Ele destaca ainda a diversidade de frutas cultivadas pelos produtores. "Hoje, no quintal produtivo, nos nossos sítios, nas nossas propriedades, nós temos aproximadamente 37 frutas diferentes, das quais 20 são exclusivas do Brasil.
Como é o caso da mangaba, do açaí, do maracujá da caatinga, do pequi do cerrado, da siriguela, do umbu-cajá”, cita.
Realizada a cada dois anos, a SIAL Paris aproxima empresas brasileiras de importadores, distribuidores e outros parceiros comerciais internacionais. Nesta edição, a expectativa brasileira é que os contatos iniciados nos corredores da feira continuem depois do evento e abram novos mercados para produtos que vão da carne bovina aos sabores menos conhecidos da biodiversidade nacional.
A próxima questão para o setor é o impacto do acordo entre Mercosul e União Europeia sobre esse comércio.
Em números
- Ao todo, 156 empresas brasileiras ocupam mais de 2,5 mil metros quadrados de estandes para apresentar seus
- ?Veja que há seis anos, em 2020, o Brasil abateu cerca de 30 milhões de animais e processou 30 milhões de bois nos fri
- Goríficos e, no último ano, nós processamos 42,9 milhões, crescemos quase 50%
- Ao todo, a SIAL reúne 295 mil profissionais de aproximadamente 194 países
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