A derrota expressiva do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos acelerou uma articulação dentro da legenda para responsabilizar o secretário de Defesa, Pete Hegseth, pelo desgaste político provocado pela guerra contra o Irã, segundo a rede americana CNN.
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Parlamentares republicanos e aliados do presidente Donald Trump avaliam que o chefe do Pentágono teve papel central na decisão de atacar o país persa e convenceu o presidente de que a guerra seria rápida e fácil de vencer.
Nove meses depois, porém, o conflito persiste, e o estreito de Hormuz continua bloqueado.
O deputado republicano Thomas Massie, afirmou à CNN que pretende apresentar uma proposta de impeachment do secretário quando os parlamentares retomarem os trabalhos, na semana que vem.
E, segundo a emissora, vários interlocutores da legenda disseram esperar que a iniciativa seja aprovada.
Nos EUA, o processo de impeachment de um secretário de governo tem o mesmo rito aplicado ao presidente. A Câmara dos Representantes tem o poder de apresentar e aprovar as acusações com maioria simples dos votos.
Se isso ocorrer, o processo vai ao Senado. Para que haja condenação e afastamento definitivo, são necessários os votos de pelo menos dois terços dos senadores presentes no julgamento.
Nos bastidores, republicanos acusam Hegseth de ter defendido a continuidade dos bombardeios contra o Irã mesmo diante da falta de sinais de que as ofensivas derrubariam o regime.
A guerra se transformou em um conflito prolongado e contribuiu para o aumento de custos energéticos, inclusive nos EUA.
Em sinal de dissonância no Partido Republicano, o vice-presidente J. D. Vance afirmou na quarta-feira (4) que a guerra foi o principal fator para a derrota da legenda nas urnas.
Trump, por sua vez, disse que o conflito contribuiu para o resultado, mas que não se arrepende de tê-lo iniciado, em fevereiro.
A tentativa de transferir a responsabilidade para Hegseth ocorre diante da resistência de republicanos em criticar Trump, ainda segundo a CNN. Parlamentares não demonstram disposição para romper com o presidente, que ainda tem dois anos de mandato, mesmo após a derrota no pleito de terça (3).
O secretário de Defesa, por outro lado, seria um alvo mais vulnerável. Desde que assumiu o comando do Pentágono, ele tem acumulado atritos com integrantes do Congresso, ainda segundo a publicação.
Apesar da pressão, Trump ainda demonstra confiança em Hegseth. Segundo interlocutores da Casa Branca ouvidos pela CNN, o presidente gosta do secretário e já disse a assessores que ele deveria reagir às tentativas de impeachment.
A perspectiva de uma ofensiva parlamentar contra Hegseth ganhou força com a mudança na composição do Congresso. Com a vitória nas midterms, como são conhecidas as eleições de meio de mandato, os democratas terão condições de ampliar a fiscalização sobre o governo e abrir investigações sobre a condução da guerra e as decisões do Departamento de Defesa, causando sérios problemas para Trump nos seus últimos dois anos à frente da Casa Branca, se assim desejarem.
O secretário, porém, teria manifestado confiança em sua capacidade de rebater os questionamentos. Pessoas próximas a ele disseram à CNN que Hegseth pretende permanecer no cargo e está disposto a assumir a responsabilidade por todas as decisões do Pentágono.
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