Corte de financiamento humanitário coincide com recorde em número de requerentes de auxílio; redução dos serviços de proteção deixa famílias deslocadas expostas à violência, exploração, abuso e tráfico humano.
Cerca de 8,3 milhões de pessoas estão prestes a perder acesso à assistência crucial, à medida que os cortes de financiamento esgotam os recursos das organizações humanitárias no setor.
A redução orçamental e o enfraquecimento de programas de apoio forçam milhões de refugiados a se deslocar e perder sua pátria sem o apoio necessário para a segurança.
O alerta é do relatório “Proteção em risco: o custo humano do subfinanciamento”, da Agência da ONU para Refugiados, Acnur.
A diretora de relações externas do Acnur, Dominique Hyde, lembrou que o corte de fundos compromete o funcionamento de abrigos ou serviços de proteção, incluindo para crianças.
Hyde ressalta que a proteção das pessoas refugiadas não pode ser reduzida indefinidamente sem que haja um colapso, deixando famílias mais expostas à violência, exploração, abuso e tráfico humano.
No Chade, cerca de 319 mil refugiados enfrentam atrasos no registo e na emissão de documentação, permanecendo excluídos do acesso a serviços essenciais e sujeitos ao risco mais elevado de detenção.
A agência estima ainda que até 200 mil mulheres e meninas podem perder o acesso a espaços seguros e programas de prevenção, e que cerca de 233 mil crianças correm risco de ficar desprovidas de serviços de proteção infantil.
A cobertura de proteção infantil também diminui em 85% em algumas partes da Etiópia, onde a capacidade dos abrigos para sobreviventes de violência de gênero caiu para menos da metade em um ano.
Também no Sudão, dezenas de milhares de sobreviventes de violência sexual e crianças em grave risco podem perder o acesso a serviços essenciais de proteção, revela a agência para os refugiados.
Os cortes no financiamento prejudicam os esforços para reverter a dependência de pessoas deslocadas da ajuda humanitária, bem como o apoio à reconstrução das suas vidas nos seus países e locais de origem.
Diante da crise orçamental, o financiamento flexível pode ajudar a direcionar os recursos para onde estes são mais necessários, permitindo uma resposta atempada das equipas de apoio diante da intensificação de eventuais crises humanitárias, observou Dominique Hyde.
Neste sentido, o Acnur apelou ao fornecimento de apoio urgente e à ampliação do financiamento flexível, de modo a salvaguardar os avanços já alcançados, ajudar as pessoas a superar a dependência da ajuda humanitária e reconstruir as suas vidas.
Em números
- Cerca de 8,3 milhões de pessoas estão prestes a perder acesso à assist
- No Chade, cerca de 319 mil refugiados enfrentam atrasos no registo e na emis
- A agência estima ainda que até 200 mil mulheres e meninas podem perder o acesso a espaço
- S seguros e programas de prevenção, e que cerca de 233 mil crianças correm risco de ficar desprovidas de ser
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