Uma fabricante de próteses mamárias foi condenada pela Justiça de Mato Grosso do Sul a pagar as despesas de retirada e substituição dos implantes de uma consumidora, além do tratamento necessário após a cirurgia.
A decisão foi tomada pela 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS). A consumidora havia colocado as próteses em 2017 e começou a apresentar problemas nas mamas a partir de 2022.
Segundo o processo, ela passou a sentir dores persistentes, além de rigidez e deformidade. Após avaliação médica, foi identificada uma complicação considerada grave e houve indicação para retirar e substituir os implantes.
Ela também precisou passar por uma cirurgia para reparar as mamas.
Próteses eram de linha alvo de recall.
Durante o processo, uma perícia não encontrou um defeito específico nas próteses usadas pela mulher. O laudo apontou que a complicação apresentada poderia ocorrer em pessoas que utilizam esse tipo de implante.
Mesmo assim, a maioria dos desembargadores entendeu que a fabricante deveria ser responsabilizada.
O relator do caso, desembargador Paulo Alberto de Oliveira, explicou que, pelo Código de Defesa do Consumidor, um produto pode ser considerado defeituoso mesmo quando não é encontrada uma falha individual de fabricação.
Isso ocorre quando o produto não oferece a segurança que o consumidor poderia esperar.
No caso analisado, os desembargadores consideraram relevante o fato de as próteses utilizadas pela mulher pertencerem a uma linha que posteriormente foi submetida a um recall internacional por questões de segurança.
Para a Justiça, a existência do recall, junto com os problemas apresentados pela consumidora e a necessidade de uma nova cirurgia, foi suficiente para reconhecer a responsabilidade da fabricante.
A decisão confirmou uma determinação anterior que já obrigava a empresa a custear a cirurgia.
Além dos gastos com a retirada e substituição das próteses, a fabricante terá que ressarcir os valores comprovadamente pagos pela mulher com o tratamento necessário após o procedimento.
A decisão destacou que a indenização não foi determinada apenas porque as próteses passaram por recall ou pela possibilidade de a paciente desenvolver uma complicação.
O entendimento levou em conta o que efetivamente aconteceu com a consumidora: as dores, a rigidez, a deformidade e a necessidade de passar por uma nova cirurgia.
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