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Mato Grosso do Sul

O fungo ‘rejuvenescedor’ produzido em estufas superúmidas que ganha espaço com cultivo sustentável

Shimeji branco é produzido em estufas com alta umidade e controle de temperatura, em um cultivo que reaproveita resíduos e aposta na sustentabilidade.

4 min de leitura
O fungo ‘rejuvenescedor’ produzido em estufas superúmidas que ganha espaço com cultivo sustentável

Utilizado em receitas e conhecido pelo sabor e pela textura, o shimeji branco exige técnica, ambiente controlado e manejo diário para garantir qualidade e produtividade.

CASAL DE PRODUTORES APOSTA NO CULTIVO DE COGUMELO EM CAMPO GRANDE.

Em Campo Grande, o produtor rural Rodrigo de Figueiredo aposta no cultivo do fungo de forma natural e sem agrotóxicos para ampliar a produção e conquistar espaço no mercado.

🔎 Cultivado em estufas, o cogumelo é produzido a partir do reaproveitamento de resíduos, em um processo que envolve secagem, moagem, assepsia, pasteurização, inoculação do micélio e controle rigoroso de temperatura e umidade.

Para Rodrigo, o shimeji branco também se destaca por suas características nutricionais, que, inclusive, auxiliam no combate ao envelhecimento precoce.

Produção começou durante a pandemia.

A ideia de produzir cogumelos surgiu durante a pandemia de Covid-19. Rodrigo trabalhou por 20 anos como transportador escolar, mas deixou a atividade depois que as restrições impostas durante o período de isolamento interromperam seu trabalho.

A mudança aconteceu depois que um amigo ensinou Rodrigo a produzir cogumelos. O cultivo é praticamente artesanal e exige uma sequência de etapas e técnicas específicas até que o produto chegue ao consumidor, explica o produtor.

O primeiro passo da produção é a coleta do capim-colonião, feita pela equipe no próprio bairro onde os cogumelos são produzidos. O material passa por um período de secagem.

🔎 O capim-colonião é uma gramínea perene originária da África e bastante utilizada na pecuária como forragem para o gado.

Depois de seco, o capim é moído e colocado em caixas-d’água de mil litros com cal.

Na sequência, ocorre a pasteurização. O material é colocado em cestos telados e levado para barris de metal.

Depois, quando o material atinge uma temperatura morna, a equipe inicia o processo de ensacamento do insumo misturado ao micélio, a parte vegetativa do fungo formada por uma rede de filamentos chamados hifas.

Os últimos passos acontecem dentro de uma estufa, onde temperatura e umidade precisam ser controladas. O ambiente é mantido entre 20°C e 24°C, com umidade do ar acima de 90%.

Depois de ensacados, os insumos ficam por 15 dias em uma área chamada de berçário. O espaço é formado por prateleiras cobertas com lonas para impedir o contato com a luz.

Após esse período, os sacos são levados para prateleiras sem as lonas. Ali, permanecem durante cinco dias, com 12 horas de contato com a luz e 12 horas no escuro.

Depois vem a frutificação, etapa em que os shimejis brancos começam a surgir para fora dos sacos. A partir daí, os cogumelos podem ser colhidos, conta Rodrigo.

Para manter a umidade necessária, a estufa é equipada com um aparelho chamado Fogger, que transforma a água em vapor.

Vender foi um dos principais desafios.

Depois de dominar as técnicas de produção, Rodrigo encontrou outro obstáculo: vender os cogumelos.

Sem conseguir comercializar toda a produção, a equipe teve perdas significativas. Segundo Rodrigo, a situação começou a mudar com a chegada de Tainá, que passou a ajudar na área de vendas.

Atualmente, o casal trabalha com o shimeji branco há cinco anos. Segundo eles, nesse período passaram a dominar melhor as técnicas de produção e comercialização, mas ainda pretendem ampliar o negócio.

Além da venda do cogumelo fresco, o casal encontrou uma alternativa para ampliar os produtos comercializados: a caponata de shimeji branco.

Segundo Rodrigo, a receita surgiu a partir de uma preparação feita pela família de Tainá. A ideia foi substituir a berinjela pelo cogumelo.

A receita leva azeite, tomate seco, castanha-do-Pará ou de baru, azeitona, cebola e alho, além de outros ingredientes e dos “segredinhos de família”, como define Rodrigo.

Segundo ele, a caponata passou a ter uma demanda significativa e hoje é um dos principais produtos comercializados pelo casal.

Produção cresce junto com a família.

Para o casal, o objetivo é continuar aumentando a produção aos poucos, sem deixar de lado a rotina familiar.

Tainá destaca que a possibilidade de realizar parte das vendas pela internet permite conciliar o trabalho com a convivência familiar.

Rodrigo também vê na filha um incentivo para continuar o projeto.

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