A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção em sua sede, no Rio de Janeiro.
Das 19 companhias habilitadas, seis apresentaram propostas, quatro delas estrangeiras.
Apesar dos seis blocos sem interessados, a rodada registrou o maior número de áreas arrematadas em um leilão do pré-sal. No ciclo anterior, realizado em 2025, foram cinco.
Com as novas contratações, a área exploratória sob o regime de partilha aumentará 58%, chegando a 39,2 mil quilômetros quadrados.
Petrobras e Prio ficaram com dois blocos cada. A norueguesa Equinor também arrematou duas áreas, uma delas em parceria com a portuguesa Galp. Já as chinesas CNOOC e Sinopec venceram juntas a oferta pelo bloco Jade.
Como funciona a divisão da produção.
No regime de partilha, vence quem oferece à União a maior parcela do óleo excedente, correspondente à produção restante após o pagamento dos custos. O edital estabelece um percentual mínimo para cada área, enquanto os bônus de assinatura e os investimentos mínimos já têm valores definidos.
As empresas entregam propostas sigilosas, sem conhecer previamente as ofertas das concorrentes. Por isso, mesmo com apenas um lance por bloco, todos os vencedores ofereceram percentuais acima do mínimo exigido.
O ágio, que nesse caso representa o quanto a oferta superou o percentual mínimo de óleo destinado à União, variou de 8,07% a 494,64%. A média ficou em 108,38%.
As vencedoras ainda precisam apresentar documentos e pagar os bônus de assinatura antes de formalizar os contratos. A assinatura está prevista para 26 de fevereiro de 2027.
Sem propostas, os blocos Turmalina, Larimar, Aragonita, Opala, Granada e Cerussita continuarão disponíveis para uma próxima rodada.
Nova rodada e questionamentos ambientais.
A programação da ANP para esta quarta-feira também inclui o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, com 313 blocos terrestres e marítimos distribuídos por 22 setores.
Ao todo, 46 empresas estão habilitadas, e dois dos setores pertencem à Bacia do Ceará, na Margem Equatorial Brasileira.
Diferentemente da partilha, o modelo de concessão não prevê ofertas de uma parcela da produção à União. Nesse formato, as empresas disputam as áreas por meio do bônus de assinatura.
As rodadas recebem apoio do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), ligado à Federação Única dos Petroleiros, e do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
As entidades avaliam que a exploração pode gerar empregos, renda e contribuir para a segurança energética.
Por outro lado, o Instituto Arayara recorreu à Justiça Federal para tentar impedir o leilão. A organização aponta sobreposição de áreas ofertadas com territórios indígenas e quilombolas, assentamentos, áreas de conservação e regiões de pesca artesanal.
Manifestantes protestaram em frente à sede da ANP desde antes do início da sessão de partilha.
Segundo as informações apresentadas sobre a rodada do pré-sal, os blocos receberam aval dos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Governo prevê ampliar oferta de blocos.
O pré-sal respondeu por 82,6% da produção brasileira de petróleo e gás em setembro. Antes do leilão, o diretor-geral da ANP, Artur Watt Neto, defendeu a continuidade da oferta de áreas próximas às oportunidades já identificadas.
Já o secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Renato Dutra, afirmou que o governo pretende disponibilizar mais de 50 blocos na Bacia de Pelotas nos próximos meses.
Localizada no litoral Sul, a região desperta interesse por suas semelhanças geológicas com áreas produtoras da costa africana.
Dutra também reiterou o interesse do governo no fraturamento hidráulico, conhecido como fracking. A técnica utiliza água, areia e aditivos químicos sob alta pressão para abrir fraturas nas rochas e permitir a extração de combustíveis fósseis.
A proposta enfrenta resistência de ambientalistas e é objeto de processo no Superior Tribunal de Justiça.
Em números
- Ovas contratações, a área exploratória sob o regime de partilha aumentará 58%, chegando a 39,2 mil quilômetros quadrados
- Leilão do pré-sal tem sete blocos arrematados e prevê R$ 530 milhões para a União
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