O câncer de pulmão está entre as consequências mais cruéis dessa dependência. O Brasil registra cerca de 30 mil mortes anuais pela doença, e o tabagismo permanece como seu principal fator de risco.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que o cigarro está relacionado a cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão.
São números grandes demais para serem tratados apenas como estatística. Por trás deles existem pais, mães, filhos, amigos e famílias que acompanham tratamentos longos e dolorosos.
E existe um aspecto especialmente duro nessa realidade: boa parte dessas mortes está ligada a um fator que pode ser evitado.
A nicotina provoca dependência, e abandonar o cigarro não é simplesmente uma questão de força de vontade. O próprio tabagismo é reconhecido como doença crônica.
Por isso, quem tenta deixar o vício e não consegue não deve desistir: deve procurar ajuda. O SUS oferece gratuitamente tratamento para a dependência da nicotina.
Há um dado recente que mostra que milhões de brasileiros já entenderam essa necessidade. Em 2025, mais de 2,5 milhões de pessoas procuraram o SUS para parar de fumar.
O número de atendimentos relacionados ao tabagismo praticamente dobrou em comparação com 2022, quando foram registrados cerca de 1,2 milhão.
É uma estatística que, ao contrário das mortes, merece ser comemorada. Cada fumante que procura tratamento está tentando interromper uma história cujo final pode ser conhecido antecipadamente.
E o perigo não se resume ao câncer de pulmão. O tabagismo está relacionado a doenças cardíacas, AVC, doença pulmonar obstrutiva crônica e diversos outros tipos de câncer.
Dados divulgados pelo Inca estimam que 145 mil mortes por ano poderiam ser evitadas no Brasil e que 477 brasileiros morrem diariamente por causas relacionadas ao tabagismo.
Isso significa que, enquanto se lê este texto, o cigarro continua cobrando sua conta.
Existe ainda uma nova preocupação. Depois de décadas de campanhas contra o cigarro tradicional, dispositivos eletrônicos passaram a conquistar principalmente consumidores jovens, muitas vezes envolvidos pela aparência tecnológica e pela falsa percepção de que seriam menos perigosos.
O resultado pode ser a formação de uma nova geração dependente de nicotina.
Por isso, combater o tabagismo não é moralismo nem interferência na escolha individual. É saúde pública.
Para quem fuma, talvez o argumento mais importante seja também o mais simples: não é tarde demais para parar. Abandonar o cigarro reduz progressivamente os riscos à saúde.
O organismo começa a responder à ausência do tabaco e, com o passar do tempo, diminui a probabilidade de doenças associadas ao fumo.
Os 2,5 milhões de brasileiros que buscaram ajuda no SUS em 2025 deram um passo que outros milhões ainda precisam dar.
O primeiro dia sem cigarro pode ser difícil. O segundo também. Haverá ansiedade, vontade de desistir e, para alguns, recaídas. Mas há tratamento e acompanhamento disponíveis.
Diante de uma dependência capaz de abreviar tantas vidas, parar de fumar não significa apenas abandonar um hábito.
- O Brasil registra cerca de 30 mil mortes anuais pela doença, e o tabagismo permanec.
- Em 2025, mais de 2,5 milhões de pessoas procuraram o SUS para parar de fumar.
- O tabagismo praticamente dobrou em comparação com 2022, quando foram registrados cerca de 1,2 milhão.
- Dados divulgados pelo Inca estimam que 145 mil mortes por ano poderiam ser evitadas no Brasil e.
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