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Mato Grosso do Sul

Artesãs Kadiwéu levam cerâmicas feitas com barro da própria terra ao Festival de Bonito

Peças são produzidas de forma artesanal, com materiais retirados da natureza, e fazem parte de nova marca criada para ampliar a comercialização dos produtos ind

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Artesãs Kadiwéu levam cerâmicas feitas com barro da própria terra ao Festival de Bonito

Do barro retirado da própria terra às peças moldadas e queimadas no fogo, a arte das mulheres Kadiwéu ganhou espaço no Festival de Inverno de Bonito (MS). Pela primeira vez, um grupo de artesãs participa do evento para apresentar e vender cerâmicas produzidas dentro do Território Indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho.

  • Neste sábado (29), a principal atração é Seu Jorge, que sobe ao Palco Sol com um repertório que mistura samba, soul, MPB e funk.
  • No domingo (30), Humberto & Ronaldo encerram o festival com sucessos do sertanejo universitário.

Entre as expositoras está Neilce Bernaldino da Silva, que cresceu convivendo com as artesãs e hoje participa do processo de recuperação da produção de cerâmica em sua comunidade.

Segundo ela, o trabalho começou a ser retomado no ano passado e reúne mulheres das aldeias Tomázia, Alves de Barro e Campina.

O processo para transformar o barro em uma peça começa ainda na natureza. As artesãs retiram a matéria-prima dentro do próprio território indígena e fazem todo o trabalho manualmente.

Depois de moldadas, as peças não são levadas a fornos industriais. A queima é feita diretamente com fogo.

Até as cores usadas nas peças vêm da natureza. Segundo a artesã, não são utilizadas tintas compradas. Os próprios tipos e tonalidades do barro são aproveitados para criar os desenhos e acabamentos.

A técnica também carrega uma história que atravessa gerações. O conhecimento é ensinado principalmente dentro das famílias, passando de mãe para filha.

A intenção das artesãs é manter essa tradição viva e ensinar o trabalho às próximas gerações.

Nova marca reúne produção das artesãs.

A participação no festival também marca o lançamento de uma nova marca criada para reunir e dar maior visibilidade aos produtos Kadiwéu.

A Godidiko reúne cerâmicas, camisetas e bolsas com grafismos tradicionais. A proposta é aproximar os produtos de novos compradores sem deixar de lado os conhecimentos e a identidade cultural das comunidades.

O lançamento ocorreu na sexta-feira (28), no Espaço de Economia Criativa do festival. Cerca de seis artistas Kadiwéu apresentaram parte do catálogo desenvolvido durante o projeto.

As artesãs permanecem no espaço durante o Festival de Inverno, onde expõem e comercializam os produtos.

A criação da marca é resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de oito meses, com atividades de qualificação da produção, orientação sobre apresentação dos produtos e preparação para novos mercados.

Para Madalena, da Aldeia Tomázia, as capacitações ajudaram a ampliar a produção de peças.

Para Elenilda, também da Aldeia Tomázia, estar no festival tem um significado ainda maior por representar a comunidade em um espaço diferente das aldeias.

A participação no Festival de Inverno representa uma nova etapa para as artesãs, que agora conseguem apresentar o trabalho para pessoas de diferentes lugares e ampliar as possibilidades de venda.

O Território Indígena Kadiwéu fica em Porto Murtinho e tem cerca de 538 mil hectares. O local reúne conhecimentos tradicionais, grafismos e uma produção de cerâmica marcada pelas técnicas e características próprias do povo Kadiwéu.

O trabalho de fortalecimento do artesanato é desenvolvido pela Wetlands International Brasil e pela Mupan – Mulheres e Lideranças pelas Áreas Úmidas, organizações que atuam com o povo Kadiwéu desde 2015.

Desde 2017, a iniciativa também integra ações do Programa Corredor Azul.

A ideia é ajudar as artesãs a alcançar novos espaços de comercialização, mas mantendo a identidade e os conhecimentos tradicionais presentes em cada peça.

O Festival de Inverno de Bonito começou na quarta-feira (26) e segue até domingo (30), com atrações gratuitas espalhadas por diferentes pontos da cidade. Além do artesanato e da economia criativa, a programação reúne música, teatro, dança, literatura, exposições e outras manifestações culturais.

As artesãs Kadiwéu também permanecem no festival neste fim de semana, com exposição e venda das peças produzidas no território indígena.

Em números

  • O Território Indígena Kadiwéu fica em Porto Murtinho e tem cerca de 538 mil hectares

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