Com seis carnês ativos, aposentada diz que modalidade continua sendo sua principal forma de pagamento.
O fechamento de 298 lojas das Casas Bahia em todo o Brasil e de cinco unidades em Mato Grosso do Sul não significa o fim da relação de todos os clientes com a rede.
No centro de Campo Grande, onde três lojas ainda estão abertas, o tradicional carnê continua sendo uma das formas de pagamento utilizadas por consumidores que mantêm o hábito de comprar presencialmente.
Mesmo com o fechamento de 298 lojas das Casas Bahia no Brasil e cinco unidades em Mato Grosso do Sul, incluindo uma em Campo Grande, o carnê segue como alternativa de crédito para consumidores sem acesso a cartões.
No centro da capital, três lojas permanecem abertas. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial após deterioração financeira agravada por juros elevados e avanço do comércio eletrônico.
Aos 75 anos, uma aposentada Eva Antônio dos Santos, que estava na região contou que possui seis carnês da Casas Bahia e que praticamente só utiliza essa modalidade para fazer suas compras.
Para ela, o crediário é uma alternativa diante da dificuldade de conseguir um cartão de crédito. “Eu tenho seis carnê da Casa Bahia. Compro só no carnê.”.
A aposentada conta que prefere o carnê porque consegue realizar as compras sem depender de cartão. Segundo ela, já tentou obter crédito bancário, mas não conseguiu aprovação, mesmo sem ter o nome negativado.
Para ela, o carnê também representa uma relação de confiança construída ao longo do tempo com a loja. A cliente diz que já possui um vendedor que costuma atendê-la e que utiliza o crediário inclusive para comprar produtos para os netos.
Essa relação com o crediário ajuda a mostrar um dos vínculos que ainda mantêm consumidores nas lojas físicas mesmo em um momento de forte reestruturação da Casas Bahia.
Enquanto a empresa reduz sua presença física e recorre à recuperação judicial para reorganizar as dívidas, clientes que não utilizam cartão de crédito continuam encontrando no carnê uma forma de acesso às compras.
E, apesar de já ter visto a notícia sobre o fechamento de unidades, a aposentada diz que ainda percebe procura pelas lojas. Na avaliação dela, o movimento de consumidores é um sinal de que ainda existe demanda pelo comércio presencial.
Movimento ainda é percebido no centro - A reportagem esteve no centro de Campo Grande nesta segunda-feira (17), onde três unidades da Casas Bahia permanecem funcionando.
O movimento observado nas lojas contrasta com o processo de redução da estrutura física anunciado pela empresa em meio à crise financeira.
Em duas unidades, funcionários disseram que foram orientados pela gerência a não comentar a situação até segunda ordem. Em outra loja, porém, um funcionário, que pediu para não ser identificado, relatou que o movimento continua, embora avalie que as vendas no comércio físico tenham perdido força desde o início do ano.
O vendedor está há seis meses na empresa e afirma que a redução no movimento não é uma dificuldade exclusiva das Casas Bahia. Para ele, o avanço do comércio eletrônico também mudou o comportamento dos consumidores e tornou mais difícil para as lojas físicas manterem o mesmo fluxo de clientes de outros períodos.
Segundo ele, a queda nas vendas já vinha sendo percebida desde o começo do ano e também afeta outros estabelecimentos do comércio. “Hoje eu trabalho seis meses aqui na loja.
A gente tem outros vendedores, que trabalham há quase dez anos na loja. Eu acredito que ele também tem essa mesma visão. A venda já está ruim desde o começo do ano.
Não é só a Casas Bahia, não é pelo que está acontecendo aqui, mas a gente vende o comércio. A venda está fraca desde o começo do ano.”.
Mesmo com o cenário, o funcionário afirma que não teme perder o emprego. A preocupação, segundo ele, está principalmente nos trabalhadores que estavam há mais tempo na empresa e que já foram afetados pelo fechamento de outras unidades.
Carnê continua sendo usado - O funcionário também confirma que o carnê continua tendo procura na unidade. Segundo ele, as vendas pela modalidade seguem ocorrendo normalmente e ainda representam uma parcela importante do atendimento.
A situação ajuda a contextualizar a fala da aposentada, que mantém seis carnês e afirma preferir esse sistema justamente por não utilizar cartão de crédito. Ao mesmo tempo em que a empresa enfrenta dificuldades financeiras e reduz o número de lojas, parte dos consumidores ainda mantém hábitos ligados ao varejo tradicional.
Sindicato manifesta preocupação com demissões – SECCG/MS (O Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande-MS) manifestou preocupação com o impacto dos fechamentos sobre os trabalhadores.
Em nota assinada pelo presidente Carlos Santos, a entidade afirmou estar apreensiva diante do encerramento em massa de lojas do Grupo Casas Bahia em todo o país e destacou o impacto das demissões sobre as famílias dos funcionários.
O sindicato afirmou que continuará atuando para acompanhar o cumprimento dos direitos trabalhistas previstos em lei e nas convenções coletivas, além de prestar solidariedade aos trabalhadores atingidos.
Recuperação judicial - O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial após o fechamento de 298 lojas no país. Em Mato Grosso do Sul, pelo menos cinco unidades foram encerradas: duas em Dourados e uma em Campo Grande, Nova Andradina e Ponta Porã.
Em Campo Grande, a unidade do Shopping Bosque dos Ipês encerrou as atividades na sexta-feira (14). No centro da cidade, três lojas ainda permanecem abertas.
O pedido de recuperação judicial foi aprovado pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador e protocolado na Justiça de São Paulo. Segundo a companhia, o objetivo é encontrar uma solução para os problemas de estrutura de capital e garantir a continuidade dos negócios no longo prazo.
No fato relevante divulgado pela empresa, a Casas Bahia citou a deterioração das condições econômico-financeiras, incluindo juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro, pressão sobre o consumo e o capital de giro e a não concretização de alternativas de liquidez que estavam sendo estruturadas.
Agora, a empresa busca reorganizar suas obrigações enquanto reduz a estrutura física e enfrenta a transformação do varejo, marcada pelo avanço das vendas online.
No centro de Campo Grande, porém, o carnê ainda resiste. Para consumidores que dependem dessa modalidade, a loja física continua sendo mais do que um ponto de venda: é o lugar onde encontram crédito, atendimento conhecido e uma forma de compra que já faz parte da rotina há anos.
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