Dos 14 aparelhos comprados para a saúde, a prefeitura instalou 3 e 10 continuam desaparecidos.
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) investiga o sumiço de dez aparelhos de ar-condicionado na Prefeitura de Selvíria na gestão do ex-prefeito José Fernando Barbosa dos Santos e do ex-secretário de Saúde, Edgar Barbosa dos Santos, preso por desvios no SUS (Sistema Único de Saúde).
A investigação foi divulgada no Diário Oficial da instituição nesta segunda-feira (24).
Segundo o inquérito, 14 aparelhos de ar-condicionado de 12. 000 BTUs foram destinados à Secretaria de Saúde do Município entre novembro de 2022 e abril de 2023.
No entanto, de todos os aparelhos entregues, somente três foram instalados. Os demais ficaram armazenados em um local precário, com corredores e salas sem tranca ou vigilância, até que o sumiço de dez unidades fosse notado.
Em depoimento, dois servidores da Prefeitura de Selvíria confirmaram que os aparelhos foram recebidos, mas apresentaram versões divergentes sobre quem ficou responsável pelo recebimento dos equipamentos, o que chamou a atenção do Ministério Público.
Nos autos, defesa do ex-prefeito e do ex-secretário de Saúde alegou que a denúncia carece de credibilidade e que imputar aos ex-gestores o sumiço dos bens seria responsabilizá-los de forma indevida por ato praticado por terceiros ainda não identificados.
Com a análise de materiais e informações obtidas pela PF, as apurações apontaram para fraude em licitações, irregularidades em contratos administrativos e peculato, com indícios de superfaturamento tanto por preços acima do mercado quanto por quantidades superiores às contratadas.
Para tentar identificar se o sumiço dos aparelhos de ar-condicionado está relacionado com os casos investigados na operação, o MPMS solicitou à Polícia Federal dados e informações da investigação, o que levou à conversão da apuração em inquérito civil.
Operação Rastro Cirúrgico - A investigação teve início a partir de indícios de irregularidades no CEM (Centro de Especialidades Médicas) de Selvíria. Segundo a Polícia Federal, foram identificados “indícios veementes de inexecução contratual, além de superfaturamento e sobrepreço na ARP (Ata de Registro de Preço) e nos respectivos contratos administrativos”.
Além disso, diversos contratos não foram publicados no site da transparência. Eles apresentavam objetos idênticos, com “vigência simultânea e mesmas partes contratantes, o que resultava em múltiplos pagamentos pelo mesmo procedimento cirúrgico e serviço médico contratado”.
Uma das clínicas contratadas sequer existia, conforme apontou a investigação.
Como desdobramento da operação, o ex-secretário foi preso pela Polícia Federal em fevereiro de 2026, após mandado de prisão preventiva expedido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
Operação Vaga Zero - Além da Rastro Cirúrgico, conduzida pela PF e pelo MPF (Ministério Público Federal), a ex-gestão municipal de Selvíria também foi alvo da Operação Vaga Zero, deflagrada pela Polícia Civil, por meio do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) e pelo MPMS.
A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em endereços ligados à Secretaria Municipal de Saúde, ao CEM e em residências de servidores e particulares investigados.
A investigação apura crimes de organização criminosa, peculato-desvio e contratação direta ilegal.
Segundo o Dracco, os contratos analisados foram firmados a partir de 2022, sem licitação, para serviços de transporte intermunicipal de pacientes em urgência e emergência, além de atendimento médico de sobreaviso.
As apurações também investigaram a existência de empresas de fachada e possíveis vínculos entre gestores públicos e prestadores de serviço.
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