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Grupos extremistas usavam Telegram para recrutar, disseminar discursos de ódio e planejar ataques a prédios

Investigação identificou grupo com mais de 600 integrantes e um núcleo restrito de 46 pessoas; participantes compartilhavam instruções para fabricar explosivos

3 min de leitura
Grupos extremistas usavam Telegram para recrutar, disseminar discursos de ódio e planejar ataques a prédios

Grupo planejava explodir o Palácio do Planalto e mirava o debate do 2º turno; polícia agiu antes.

Um dos grupos reunia mais de 600 integrantes. A partir dele, pessoas consideradas mais alinhadas ao perfil procurado pelos administradores eram convidadas para um segundo grupo, com 46 participantes.

O acesso não era aberto. Para entrar, era necessário receber um link ou procurar pelo nome exato do grupo. Os administradores também buscavam identificar pessoas dispostas a participar de ações violentas.

Em uma das conversas, um integrante chegou a pedir indicações de outros grupos de nazistas para fazer novos recrutamentos.

No grupo restrito, as conversas avançavam além da disseminação de ideologias extremistas. Os participantes compartilhavam instruções para fabricar explosivos e coquetéis molotov e discutiam o desenvolvimento de artefatos explosivos.

Também havia cálculos sobre quantidades e custos dos materiais. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, as estimativas indicavam a possibilidade de produzir mais de três granadas por integrante.

A investigação aponta que os administradores tentavam identificar entre os participantes pessoas dispostas a matar.

O relatório do CyberLab, laboratório de repressão a crimes cibernéticos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, classificou os dois grupos como de alto grau de periculosidade.

Entre os conteúdos compartilhados estavam mensagens com ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.

Mapas, manuais de explosivos e cálculo de custos: como grupo planejava ataques em Brasília.

Prédios dos Três Poderes eram alvos.

As conversas monitoradas revelaram que o principal objetivo do grupo era invadir e explodir prédios públicos, especialmente o Palácio do Planalto.

Os integrantes tinham mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles chegaram a compartilhar a planta baixa do Palácio do Planalto e discutir possíveis formas de entrar e sair do prédio.

A intenção, segundo as autoridades, não era apenas provocar destruição. O grupo queria usar um ataque em Brasília para enviar ao país uma mensagem considerada violenta e antidemocrática.

Os participantes defendiam uma “revolução” e a “abolição do Estado”. A investigação aponta que eles não se identificavam necessariamente com um lado político específico.

As mensagens foram identificadas durante o trabalho do CyberLab, que monitora pessoas que se escondem atrás de perfis anônimos na internet e produzem ou compartilham conteúdo de ódio.

Segundo o Ministério da Justiça, somente naquele ano o laboratório havia produzido 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio diferentes.

Os investigadores identificaram, em geral, homens jovens envolvidos na disseminação de conteúdos racistas, homofóbicos e misóginos. A violência contra mulheres também aparecia com frequência nas conversas monitoradas.

Na última terça-feira, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados.

Os investigados devem responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime.

Computadores e celulares apreendidos durante a operação ainda são analisados pelos investigadores.

As autoridades afirmam acreditar que os integrantes pretendiam levar o plano adiante e que não seria necessário esperar para verificar se o grupo realmente executaria os ataques.

GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Tecnologia, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

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