Um exoplaneta localizado chamou a atenção dos astrônomos por um motivo especial: sinais de hélio escapando de sua atmosfera. O LHS 1140b está na chamada zona habitável de sua estrela e pode apresentar condições capazes de permitir a existência de água líquida.
- O LHS 1140b está na zona habitável de uma estrela anã vermelha na constelação de Cetus.
- Sinais de hélio escapando do planeta podem indicar a presença de uma atmosfera secundária.
- O planeta pode ser uma super-Terra rochosa ou um mini-Netuno, e sua classificação ainda é incerta.
- Estar na zona habitável não garante água líquida ou condições favoráveis à vida.
- Uma segunda observação não detectou o mesmo sinal de hélio, mantendo o resultado incerto.
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O planeta orbita uma estrela anã vermelha na constelação de Cetus e é considerado um dos mundos mais interessantes para o estudo de possíveis condições favoráveis à vida fora do Sistema Solar.
A presença de hélio, porém, não significa que vida alienígena tenha sido encontrada. O principal interesse está no que o gás pode revelar sobre a atmosfera do planeta, segundo Joe Willis, professor associado, físico e astrônomo da University of Victoria, Canadá, em artigo publicado no portal The Conversation.
Observações anteriores feitas com o telescópio espacial James Webb já haviam descartado a existência de uma atmosfera rica em hidrogênio no LHS 1140b. Esse tipo de atmosfera, chamada de primária, seria formada junto com o planeta e provavelmente desapareceria pouco tempo depois de sua formação.
O possível sinal de hélio pode indicar algo diferente: a existência de uma atmosfera secundária, que seria mais estável e duradoura. Na Terra, a atmosfera secundária permanece há bilhões de anos e sua composição resulta da interação entre processos geológicos, químicos e, em última instância, a vida.
A situação é especialmente interessante porque o LHS 1140b é maior que a Terra, mas ainda está entre os planetas menos massivos que conseguimos detectar fora do Sistema Solar.
Estimativas iniciais indicavam que ele teria 1,7 vez o tamanho da Terra. Observações posteriores apontaram um tamanho superior a cinco vezes o do nosso planeta.
Essa diferença ajuda a explicar uma das principais dúvidas sobre o planeta. Os astrônomos não sabem se o LHS 1140b deve ser classificado como uma super-Terra, provavelmente mais rochosa, ou como um mini-Netuno, com características mais próximas de planetas gasosos.
O problema é que não existem exemplos desse tipo de planeta próximos o suficiente do Sistema Solar para permitir uma comparação fácil. Mundos sub-netunos parecem ser comuns em outros sistemas, mas os cientistas ainda têm dificuldade para compreender exatamente como eles se formam e evoluem.
A possibilidade de o LHS 1140b possuir uma atmosfera detectável aumenta o interesse pelo planeta. Se ele realmente for um mundo rochoso com atmosfera e estiver em uma região onde a temperatura permita água líquida, poderia se tornar um alvo importante na busca por ambientes potencialmente habitáveis.
Mas até mesmo essa condição precisa ser analisada com cuidado. Dependendo da forma como a energia recebida da estrela é considerada, a temperatura de equilíbrio do planeta poderia ficar em torno de -30 °C.
Com modelos mais realistas, a estimativa pode chegar a aproximadamente -90 °C, semelhante à temperatura de Marte atualmente.
Isso significa que estar na zona habitável não garante que o planeta seja realmente habitável. A presença e as características de uma atmosfera podem alterar significativamente as condições de sua superfície.
Por que ainda não é possível falar em vida no exoplaneta.
O possível sinal de hélio representa apenas uma pequena etapa na tentativa de estudar atmosferas de planetas distantes. Essa seria apenas a segunda vez que astrônomos conseguem identificar uma possível atmosfera em um planeta relativamente semelhante à Terra.
O primeiro caso ocorreu com o exoplaneta Gliese 1214b.
Além disso, o resultado ainda é considerado incerto. Uma segunda observação do LHS 1140b realizada durante o estudo não apresentou o mesmo sinal de hélio, e os pesquisadores ainda não sabem explicar completamente a diferença.
Também existem incertezas nas estimativas utilizadas para calcular as condições da superfície do planeta. Por isso, os dados não permitem afirmar que o LHS 1140b abriga água líquida, muito menos vida.
A busca por sinais biológicos em atmosferas de exoplanetas ainda depende de uma compreensão muito maior sobre como esses mundos funcionam. Moléculas presentes na atmosfera terrestre, como oxigênio e metano, são consideradas interessantes nesse contexto, mas os cientistas ainda precisam observar muitos outros planetas para descobrir quais combinações químicas realmente podem indicar a presença de vida.
Matheus Labourdette é redator no Olhar Digital.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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