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Inteligência Artificial

Discord responde à ANPD e diz que atua para garantir um 'ambiente digital seguro e saudável'

Sobre o caso de suicídio de uma adolescente de 13 anos, a plataforma afirma que avaliações técnicas preliminares apontam que o 'ato consumado não foi transmitid

4 min de leitura
Discord responde à ANPD e diz que atua para garantir um 'ambiente digital seguro e saudável'

Após aviso da polícia, Discord demorou 25 minutos para derrubar live que vitimou menina.

A plataforma Discord enviou à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), na noite desta sexta-feira (14), os esclarecimentos demandados pela agência após a determinação de suspensão das transmissões ao vivo da plataforma no Brasil.

No documento, o aplicativo afirma que atua continuamente para que o ambiente digital seja seguro e saudável, rechaçando qualquer prática de violência, automutilação ou incitação a atos lesivos.

Entre os argumentos apresentados à agência, o Discord alega que a criptografia impediu bloqueio de conteúdo, e diz que análises ténicas apontam que o "ato final de suicídio não ocorreu na plataforma", sobre o caso da adolescente de 13 anos (veja os argumentos apresentados aqui).

💻O Discord é uma plataforma de comunicação amplamente utilizada por jogadores de games online e também por adolescentes. A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários.

A empresa tinha até essa sexta-feira (14) para cumprir a determinação de suspender as transmissões ao vivo feita pela agência. E outros 10 dias para entrar com recurso, e esclarecer quais são os mecanismos de proteção de crianças e adolescentes adotados no aplicativo.

🔎A ANPD é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e tem, entre suas atribuições, zelar pela proteção de dados pessoais.

No documento, os advogados da empresa citaram os seguintes mecanismos de controle.

Há mecanismos de verificação de idade: a empresa afirma que, quando não há uma verificação conclusiva da idade, a conta é submetida às "restrições padrão aplicáveis ao público adolescente.

Existe uma ferramenta de controle parental: o Discord cita a "Central da Família", que, segundo a empresa, permite aos responsáveis monitorar servidores integrados, lista de amigos e tempo de uso dos jovens, além de impor restrições a transações financeiras e interações com desconhecidos.

Sobre problemas apontados pela agência e o caso específico de uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida a tirar a própria vida na plataforma (entenda mais abaixo), o Discord alegou.

Discord tem até esta sexta (14) para concluir respostas.

Na última semana, a primeira-dama Janja da Silva afirmou que era necessário retirar do ar, "imediatamente", a plataforma Discord.

Ela citou o caso de uma menina de 13 anos que teria sido induzida, por um grupo de adolescentes, a cometer suicídio durante uma transmissão na plataforma.

A empresa afirmou também que avaliações técnicas preliminares indicam que o ato consumado não foi transmitido pela plataforma, e que repassou dados e registros aos investigadores.

Denúncias contra o Discord aumentaram.

Documentos do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram, porém, que o uso do Discord em crimes não é um fenômeno restrito ao episódio que levou à decisão da ANPD.

Segundo documento enviado pelo ministério ao Congresso há cerca de 15 dias, já foram identificadas pelo menos sete operações policiais, entre 2023 e 2026, envolvendo crimes nos quais houve uso da plataforma.

O documento afirma que o Ciberlab, estrutura do Ministério da Justiça voltada à análise de ameaças no ambiente digital, identificou de forma recorrente a utilização de servidores e comunidades do Discord para compartilhamento de violência gráfica, disseminação de ideologias extremistas, cyberbullying organizado e coerção psicológica.

O ministério também cita transmissões ilícitas envolvendo vítimas vulneráveis, inclusive menores de idade.

O Ministério da Justiça informou ainda que, conforme manifestação da Polícia Federal, existem investigações em andamento envolvendo o uso de plataformas digitais, entre elas o Discord, para a prática de diversos crimes.

Entre os delitos citados estão crimes de ódio, indução à automutilação, exploração sexual, cyberbullying e outras condutas violentas. Segundo o ministério, crianças e adolescentes aparecem com frequência nas investigações tanto como vítimas quanto como autores.

A ANPD determinou nesta quarta-feira (12) a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em território brasileiro. A decisão é uma medida preventiva e deu à plataforma três dias úteis para cumprir a determinação.

A medida não significa que o Discord está suspenso no Brasil. A decisão atinge apenas a ferramenta de transmissões ao vivo.

Segundo a agência, a suspensão permanecerá até que a plataforma comprove a adoção de medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes durante o uso do serviço.

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