A explicação filosófica mais precisa talvez seja "tem louco pra tudo". Quase 6. 000 pessoas são esperadas em uma das corridas de montanha mais desafiadoras do Brasil, a La Mision, que nesta quinta (13) inicia a 11ª edição brasileira.
As distâncias são variáveis, 7 km, 15 km, 25 km, 35 km, 55 km, 80 km e 110 km, e possuem tempo de corte, ou seja, é preciso que o corredor conclua a prova dentro de certo intervalo.
No caso da distância mais longa, conviria dormir algumas horas, mas poucos se dão a esse luxo –levar barraca é obrigatório em percursos da Mision original, na Argentina, que tem provas mais cabulosas: 120 km, 160 km e 200 km.
Nas três distâncias maiores daqui, o percurso exige a transposição da Serra Fina, um dos circuitos de montanhismo mais famosos do Brasil, na tríplice fronteira de Rio, Minas e São Paulo.
Ali está a Pedra da Mina, quarta montanha mais alta do Brasil, com 2. 798 metros, mas todo o trajeto tem enorme variação altimétrica, o que relativiza o significado da palavra "corrida.
Como explica Sidney Togumi, treinador de trail run e primeiro organizador da prova daqui, só no primeiro trecho de subida da Serra Fina são 1. 000 metros de ganho altimétrico em apenas 4,5 km.
O advogado paulista Luiz Paulo Facioli, 51, estreia nos 110 km este ano. Ele já enfrentou os 160 km na Argentina, mas por duas vezes abortou a competição brasileira por conta do calor.
Ele diz gostar do "planejamento" que a prova requer, especialmente quanto à suplementação alimentar, crítica para ele, que é diabético.
Parece um tanto paradoxal que locais que convidam à contemplação, como esse pedaço especialíssimo da Mantiqueira, tornem-se suporte de disputas competitivas, com atletas em busca de recordes pessoais, mas essa pode não ser a tônica geral.
Facioli, que já percorreu o Circuito da Fé, rota de peregrinação que leva a Aparecida do Norte e hoje desperta talvez mais interesse esportivo do que religioso, não se coloca entre os mais competitivos.
Não sou desses caras, aproveito o tempo limite da prova. Quando vou mais rapidamente, é por conta de melhor condicionamento.
A La Mision é o grande evento de Passa Quatro, cidade mineira de 15. 000 almas que só deve ter visto muvucas parecidas na Revolução de 1932, quando os paulistas, que contavam com a adesão de Minas Gerais à sua luta camicaze contra o governo federal, foram massacrados ali perto, no túnel ferroviário da Mantiqueira.
Uma Maria-Fumaça restaurada ainda opera por ali, esta semana com passeios de quinta a domingo.
Se há um autor talentoso na literatura de aventura no Brasil, esse é Guilherme Cavallari. Gui começou com cadernos técnicos de trilhas de bike, mas evoluiu para obras que entrelaçam história, jornalismo, alguma sociologia e descrições de seu dia a dia nos destinos em que se aventura, sempre de bike em viagens solitárias e autossuficientes.
Como o interior da Mongólia, em que sua grande preocupação era conseguir água (e rotas de navegação confiáveis), e o Altiplano Andino.
Gui edita os próprios livros por sua editora Kalapalo e, com o diretor Cauê Steinberg, também faz filmes, como este da Serra Fina, que atacou de bike – abordagem que ninguém jamais tentara no Brasil.
Passa Quatro atrai uns sujeitos esquisitos.
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Em números
- As distâncias são variáveis, 7 km, 15 km, 25 km, 35 km, 55 km, 80 km e 110 km, e po
- Obrigatório em percursos da Mision original, na Argentina, que tem provas mais cabulosas: 120 km, 160 km e 200 km
- 000 metros de ganho altimétrico em apenas 4,5 km
- O advogado paulista Luiz Paulo Facioli, 51, estreia nos 110 km este ano
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Esporte, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.
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