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Dirigente do Wrexham fala sobre como um conto de fadas do futebol pode revitalizar uma cidade: 'Agora, as

CEO Michael Williamson foi nomeado pelos astros de Hollywood

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Ao caminhar pela rua principal de Wrexham na hora do almoço de um dia de jogo, havia poucos sinais de uma revitalização drástica. Uma briga estava prestes a começar na porta do pub The Horse & Jockey.

Um pregador evangélico, com um microfone quebrado, tentava convencer os pedestres de que Jesus os amava.

Só mais tarde, enquanto tomava uma Wrexham Lager antes da partida no pub histórico do clube, é que a ressurreição desta pequena cidade no norte do País de Gales ficou evidente.

Em meio à conversa animada dos moradores locais, ouviam-se frequentemente sotaques norte-americanos. E então surgiram as câmeras. Uma equipe de filmagem se acotovelava diante dos torcedores.

Outras entrevistavam fãs e o dono de um trailer de hambúrgueres.

Welcome to Wrexham, a série documental de sucesso da Disney —agora em sua quinta temporada—, acompanha os rumos da cidade nos cinco anos desde que o astro de cinema canadense Ryan Reynolds e seu colega de primeira grandeza Rob McElhenney —hoje conhecido como Rob Mac— resgataram o Wrexham Association Football Club, time que durante anos definhou nas divisões inferiores e que, quando a Covid chegou, em 2020, lutava para sobreviver.

Para Michael Williamson, CEO do Wrexham AFC há dois anos e meio, a história se mostrou irresistível. O americano havia ocupado cargos de alto escalão —inclusive o de diretor financeiro— na Inter de Milão e, depois, no Miami FC, mas, quando foi recrutado por Reynolds e Mac, rapidamente se encantou com o romantismo do plano dos dois.

Liguei para minha mulher e disse: ‘Olha, não tenho uma oferta, não faço ideia de quanto estão dispostos a pagar, mas vamos para o norte do País de Gales, para Wrexham, se tivermos a oportunidade’.

O terceiro clube profissional de futebol mais antigo do mundo subiu da modesta National League [quinta divisão inglesa] para a League Two [quarta divisão inglesa], a League One [terceira divisão inglesa] e, em seguida, a Championship [segunda divisão inglesa] em três temporadas consecutivas.

Há alguns meses, por pouco não conquistou uma possível promoção final à Premier League, a primeira divisão. "Aquilo doeu muito, porque senti que estávamos tão perto", diz Williamson, em entrevista com vista para o estádio Cae Ras —"hipódromo", em galês.

Mesmo assim, as sucessivas promoções, a ampliação da lista de patrocinadores e uma torcida em rápido crescimento —tudo isso turbinado pela construção global da marca proporcionada por Welcome to Wrexham e seus quase 5 milhões de espectadores regulares— transformaram o clube em todos os sentidos.

Houve duas captações significativas de capital desde a aquisição, em 2020. A primeira teve o apoio da família Allyn —empresários e filantropos de Nova York, mais conhecidos por fundar e posteriormente vender o grupo de equipamentos médicos Welch Allyn.

No futebol de alto nível, a lista de compras fica cara.

Williamson, que não quis comentar a decisão da semana passada que considerou o Manchester City culpado de graves violações das regras financeiras, afirma que ganhar dinheiro não é o objetivo principal.

Sempre brinco que, se você quiser transformar um bilionário em milionário, diga a ele para comprar um clube de futebol.

De todo modo, ele se surpreendeu com o entusiasmo demonstrado por Reynolds e Mac pelo projeto do Wrexham.

A paixão e o comprometimento deles são notáveis", afirma. "Mas eles não estão aqui apenas pelo clube de futebol; estão aqui pela comunidade. Eles entendem que a sustentabilidade do clube no longo prazo depende, em última instância, de a comunidade embarcar conosco nessa jornada.

O otimismo é contagiante, mas lembro-me da atmosfera sombria que presenciei no centro da cidade. Isso dificilmente corrobora essa narrativa, não é.

Parte do impacto é intangível, diz Williamson. "Antes de Rob e Ryan, havia incerteza quanto à chegada de dias melhores. Então, talvez as pessoas não fossem buscar um empréstimo ou financiar uma casa porque não sabiam se teriam emprego no futuro.

Mas ele insiste que também houve um impulso visível à economia da cidade. "Há restaurantes, há bares. Você vê pessoas vindo visitar o lugar." Ele sugere observar a clientela do The Turf, o pub dos torcedores recentemente adquirido pelo clube, assim como a Wrexham Lager.

Provavelmente você vai encontrar um canadense, um americano, talvez alguém da Malásia, talvez alguém do Brasil. As pessoas estão vindo para cá, e a comunidade as está acolhendo.

Mais tarde, em meu hotel, desenrola-se uma cena que confirma de maneira tão perfeita o relato de Williamson que me pergunto se, de algum modo, ele não a teria planejado.

Um casal de Boston usando cachecóis vermelhos e vivos do Wrexham entra apertado no elevador e fala com entusiasmo sobre as férias no norte do País de Gales que planejou em torno de seu primeiro jogo do Wrexham ao vivo.

O que eles estão fazendo pela comunidade daqui é incrível", diz a mulher.

Então, Wrexham é um modelo para outros? "Os clubes de futebol, se forem fiéis à sua natureza de organizações voltadas para a comunidade, podem ser grandes catalisadores do desenvolvimento econômico", diz Williamson.

Seja por meio do turismo, seja por iniciativas em uma universidade próxima." O clube trabalha em estreita colaboração com a Universidade de Wrexham, inclusive por meio de novos cursos superiores ligados ao esporte.

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