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Pabllo Vittar mira mercado internacional em disco frenético, mas sem o 'molho' da cantora

'Lost in Lust' ousa com sonoridades eletrônicas e letras em inglês e espanhol, mas não traduz a identidade da cantora. Veja crítica.

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Pabllo Vittar mira mercado internacional em disco frenético, mas sem o 'molho' da cantora

Pabllo Vittar não lançava um álbum desde 2024, ano do "Batidão Tropical Vol. II". Nesta quinta (1º), ela voltou com uma aposta arriscada: um disco frenético, quase todo em inglês e espanhol, intitulado "Lost in Lust.

Pabllo Vittar mira mercado internacional em novo álbum.

O disco segue a linha de "Noitada", álbum de 2023 que explorava uma sonoridade eletrônica e já dividiu opiniões à época.

Mas "Lost in Lust" dobra a aposta — para o projeto, Pabllo convocou produtores da cena LGBTQ+ noturna (Rodrigo Gorky, S4tan, PZZS, Chernobruno, Jeska, Ezmehfw, Votú, Eva de LC, Gorfo de Panda, Martinz Beats, LOFIBBGIRL e Carlos do Complexo) pra fazer músicas ainda mais intensas, com diferentes influências.

Pabllo sempre foi uma boa curadora de produtores, e eles têm liberdade total aqui. Passeiam por sonoridades alucinantes, metálicas e caóticas. Na eficiente "Bad Good", o som vai do piseiro ao techno; "Big Bang", outro destaque, mescla reggaeton e elementos de rock doido.

O álbum passa longe de ser uma audição calminha, e até por isso é curto: são 29 minutos de duração, o que ajuda o ouvinte a não se saturar.

Com pouquíssimo espaço para o português, o disco também aposta em parcerias internacionais. Entram a rapper porto-riquenha Villano Antillano, o italiano Mahmood, Lacruz, da Venezuela, e Urias.

Ou seja, Pabllo está claramente mirando na carreira internacional e quer tocar nas festas mundo afora. E tem porte pra isso, claro: como a própria Pabllo canta nesse álbum, ela é amiga da Madonna.

A questão é que o que a colocou nesse lugar de queridinha do mundo foi um magnetismo que, neste disco, pouco aparece.

Afinal, em seus melhores trabalhos, Pabllo exibe uma mescla afiada de senso de humor, brasilidade e ousadia — de "Descontrolada" a "Culpa do Cupido", a cantora não se atém a um tipo de sonoridade, mas costuma ter um repertório sempre empolgante e divertido.

Em "Lost in Lust", as produções são criativas, mas Pabllo não brilha e, por vezes, é ofuscada pelas participações. Em meio a letras genéricas em outros idiomas, como "You got me feeling hot hot hot" ("Skin") e "I'm your body type" ("Body Type"), é difícil dizer o que faz desse um álbum de Pabllo Vittar.

Na discografia da cantora, "Lost in Lust" acaba sendo uma adesão um pouco frustrante. É bom ver Pabllo experimentando, sem se preocupar em fazer hits radiofônicos e populares, e exaltando os sons que fervem nas pistas.

O que faltou foi encontrar uma forma de se apropriar disso e fazer algo a cara dela.

Tem boas ideias, tem músicas dançantes, grandes nomes por trás. A questão é que logo Pabllo Vittar, uma das cantoras mais carismáticas do Brasil, fez um disco de pista que não é divertido.

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