Título: “Ney por trás das máscaras”.
Direção: Esmir Filho com codireção de Thais Guisasola.
A fala do artista dá o tom do filme em que o cineasta Esmir Filho – diretor do blockbuster “Homem com H” (2025), cinebiografia ficcional sobre a vida de Ney Matogrosso – desvenda os bastidores do cantor durante os preparativos da escola de samba Imperatriz Leopoldinense para o desfile em homenagem a Ney, apresentado pela agremiação no Carnaval de 2026 com o enredo “Camaleônico”.
Ney tira as máscaras, as fantasias e fica até nu diante das lentes de Esmir e da codiretora Thais Guisalosa – um desinibido nu frontal enquanto se seca após o banho – mas a trava emocional continua lá.
Ney Matogrosso desnuda o corpo, mas não a alma.
Vê-se Ney em casa tomando café da manhã, interagindo no barracão da Imperatriz e na quadra da agremiação – e também obviamente no desfile propriamente dito – e ainda em camarins.
Ouve-se nesses cenários o habitual discurso libertário de um artista que sempre se pautou pela ousadia.
Se o filme acompanhasse Ney somente nos bastidores do processo de criação do desfile da Imperatriz Leopoldinente, o foco de “Ney por trás das máscaras” teria ficado mais bem definido e original.
Contudo, Esmir Filho abriu demais o foco.
Há muitas cenas de Ney no habitat natural do artista, uma fazenda de 140 hectares, localizada em meio à Mata Atlântica, precisamente em Sampaio Correia, distrito de Saquarema (RJ), na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.
Lá, com a devida autorização do Ibama, Ney costuma soltar animais silvestres na mata. Vê-se no filme a soltura de uma jiboia.
Além de descortinar os bastidores do Carnaval, mostrando o cantor em contato com costureiras das fantasias da Imperatriz Leopoldinense e com demais trabalhadores da escola, agindo sem qualquer traço de afetação ou estrelismo, o documentário “Ney por trás das máscaras” se diferencia por desvendar um pouco a relação do artista com a mãe, Beita de Souza Pereira (1922 – 2026), falecida aos 103 anos, em março deste ano.
Tudo pode soar interessante para quem é fã do cantor. Mas, se Ney solta a jiboia, ele mesmo nunca se solta realmente diante das câmeras e, com isso, o documentário é que fica travado, sem nunca chegar efetivamente à apoteose.
Em números
- Há muitas cenas de Ney no habitat natural do artista, uma fazenda de 140 hectares, localizada em meio à Mata Atlântica, precisament
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