O sucesso do "morango do amor" inspirou centenas de versões nas redes sociais. Mas uma delas seguiu um caminho bem diferente. Com cobertura escura e visual inspirado no universo do terror, o chamado "morango do ódio" viralizou na internet, ultrapassou 4 milhões de visualizações e levou novos clientes para uma pequena confeitaria especializada em doces de estética gótica.
Doce ou travessura? Empreendedora lucra com sobremesas de terror.
Por trás da criação está Fernanda Oliveira, fotógrafa que decidiu transformar a paixão pela culinária em negócio.
A empreendedora conta que o doce que viralizou nasceu como uma brincadeira a partir de uma tendência já conhecida das redes.
Então, no ano passado, teve o morango do amor que foi super viralizado. Aí eu fiz um morango do ódio e esse ano teve essa adaptação, que bombou novamente", afirma.
O visual dos produtos não surgiu por acaso. A confeitaria é uma extensão dos gostos pessoais da empreendedora.
Segundo Fernanda, seu interesse pelo universo alternativo vem desde a infância. Apaixonada por rock, ela também encontra inspiração em filmes de terror e no ambiente em que vive.
Eu sempre tento buscar esse lado do terror, mas sem ser totalmente direta", explica.
O catálogo inclui criações inspiradas nesse universo, como dedos de bruxa, cérebros e bolos com elementos que remetem ao suspense e ao horror, mas apresentados de forma lúdica e artesanal.
Mercado de nicho ajudou negócio a crescer.
O interesse do público mostrou à empreendedora que existia espaço para produtos diferentes dos oferecidos pelas confeitarias tradicionais.
Fora do convencional me atraía e não é possível que só eu e meu marido gostem. E acabou que foi dando muito certo", afirma.
O reconhecimento chegou também por meio de parcerias comerciais. Uma editora especializada em livros de suspense, terror e literatura dark procurou Fernanda para desenvolver um doce temático ligado ao lançamento de uma obra.
A solução encontrada foi criar um bolo em formato de inseto, alinhado à proposta do livro.
Datas sazonais impulsionam as vendas.
Embora os produtos sejam vendidos durante todo o ano, períodos ligados ao universo do terror costumam trazer resultados mais expressivos.
Segundo a empreendedora, em épocas de maior procura, como o período de Halloween, o faturamento pode chegar a ser cinco vezes maior do que em meses convencionais.
Entre os itens mais procurados estão algumas das primeiras criações da marca, como o dedo de bruxa e o doce em formato de cérebro.
Após a repercussão nas redes sociais, Fernanda afirma que o principal objetivo passou a ser organizar a produção para atender mais clientes sem perder o caráter artesanal dos produtos.
Me organizar para que ninguém fique sem doce e também essa questão do artesanal, da produção, para que a pessoa entenda que é algo exclusivo", diz.
O desafio é comum a muitos pequenos negócios que viralizam: transformar a visibilidade repentina em crescimento sustentável.
No caso da confeiteira, a aposta está justamente na combinação que tornou a marca conhecida: doces artesanais, identidade própria e uma estética pouco explorada pelo mercado tradicional.
Em números
- Morango do ódio, dedo de bruxa e mais: ex-fotógrafa fatura R$ 5 mil com doces góticos
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