Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pediu a estrangeiros que não reconheçam o resultado da eleição presidencial brasileira e façam pressão pela anulação da votação.
Ex-deputado divulga vídeo em inglês e alega fraude sem apresentar provas no pleito em que Lula derrotou Flávio Bolsonaro.
Em vídeo em inglês divulgado nesta 2ª feira (26.out. 2026), ele afirmou, sem apresentar provas, que houve fraude na disputa vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Isso é o que aconteceu na eleição brasileira – e isso é apenas o começo.
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Eduardo também pediu que a gravação fosse compartilhada. “Como Flávio disse, precisamos cancelar esta eleição. Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional.
Precisamos que vocês compartilhem este vídeo”, afirmou. Assista ao vídeo compartilhado pelo ex-deputado.
Na gravação, ele questiona o crescimento da votação de Lula entre os turnos, cita pesquisas eleitorais e usa os votos recebidos pelos candidatos eliminados para sustentar que a vitória petista seria “estatisticamente impossível”.
Não apresenta evidências de adulteração dos votos.
Resultado final e contestação de Flávio.
Lula foi reeleito no domingo (25.out) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). A diferença foi de 4. 430. 191 votos. No 1º turno, Flávio havia ficado à frente, com 47,03%, ante 45,16% do petista.
A comparação entre os turnos precisa considerar que eleitores podem mudar de candidato, comparecer somente a uma das etapas ou deixar de votar em branco ou nulo.
Os votos recebidos por candidatos eliminados não são automaticamente transferidos a quem eles apoiam.
O vídeo de Eduardo foi publicado depois de Flávio anunciar, ainda na noite de domingo, que não reconheceria o resultado e pediria a anulação da eleição.
Uma das críticas dos irmãos se refere à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de ampliar o horário de votação até as 19h, por 2 horas além do prazo inicialmente previsto.
As duas campanhas haviam pedido mais tempo para votar, com justificativas e abrangências diferentes. A equipe de Lula denunciou dificuldades no transporte público e solicitou a extensão nacional.
A de Flávio pediu a prorrogação em 19 cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, citando chuvas, alagamentos, interdições e falta de energia.
Zanin determinou inicialmente a ampliação em todo o país, em ação da coligação de Lula. Depois, esclareceu que a medida valeria apenas onde as urnas ainda não tivessem sido fechadas, orientação confirmada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Leia as íntegras da decisão inicial (PDF -340 KB ) e do esclarecimento posterior (PDF – 273 KB).
Fiscalização e conferência dos votos.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou ter “absoluta segurança do processo eleitoral” e disse que a Justiça Eleitoral cumpriu a determinação sobre a prorrogação.
O tribunal também respondeu à declaração de Flávio de que fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre. Segundo a Corte, o espaço não é aberto à visitação, enquanto 2 representantes do partido acompanharam a totalização e a divulgação dos resultados na Sala de Totalização.
A conferência dos resultados pode ser feita por meio dos boletins de urna, documentos que registram os votos de cada seção. Eles são impressos ao fim da votação e disponibilizados na internet, permitindo comparar os registros locais com os dados divulgados pelo TSE.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, defendeu o respeito à vontade dos eleitores. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também reconheceu a vitória de Lula e pediu a pacificação do país.
Atuação nos EUA e condenação pelo STF.
Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025. Na 6ª feira (23.out), antes da votação, já havia questionado o sistema eleitoral brasileiro durante participação no programa norte-americano Louder with Crowder, apresentado por Steven Crowder.
Na entrevista, defendeu que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado.
O ex-congressista perdeu o mandato em 18 de dezembro de 2025, por decisão da Mesa Diretora da Câmara, depois de faltar a pelo menos um terço das sessões deliberativas daquele ano.
Em 16 de junho de 2026, a 1ª Turma do STF o condenou, por unanimidade, a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por coação no curso do processo.
Segundo o colegiado, Eduardo articulou sanções norte-americanas contra autoridades brasileiras para tentar interferir no julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), no processo sobre tentativa de golpe de Estado.
A condenação tornou-se definitiva em 3 de outubro, quando se encerraram as possibilidades de recurso. Em decisão assinada em 7 de outubro, Alexandre de Moraes determinou o início da execução da pena, a expedição de mandado de prisão e o cancelamento dos passaportes brasileiros de Eduardo.
Eis a íntegra da decisão (PDF – 138 KB).
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