As manifestações de estudantes do ensino médio e de universidades que ganharam força na França nesta semana incluem reivindicações por professores para substituir profissionais ausentes, reajustes salariais para servidores públicos e mais recursos para a administração pública.
- França: 27% dos professores estavam satisfeitos com o salário em 2024.
Embora parte desses problemas também esteja presente no Brasil, os dois países têm sistemas educacionais diferentes e enfrentam desafios de naturezas distintas.
Dados recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) permitem comparar alguns desses aspectos. A Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (TALIS) 2024 ouviu professores e diretores de escolas e traz informações sobre jornada, contratos, salários, estresse e condições de trabalho.
Já o relatório Education at a Glance 2026, divulgado em setembro, analisa, entre outros pontos, a falta de professores em diferentes sistemas educacionais.
A comparação mostra que a insatisfação dos professores existe nos dois países, mas não necessariamente pelos mesmos motivos.
💰 Salários: professores dos dois países relatam insatisfação.
Na França, um professor da Educação Nacional recebeu, em média, € 3. 090 líquidos por mês em 2024. O valor médio aumentou 6,4% em relação ao ano anterior. Descontada a inflação daquele ano, o aumento real foi de 4,3%.
Isso não significa, porém, que a questão salarial esteja resolvida no país. No TALIS 2024, apenas 27% dos professores franceses dos anos finais do ensino fundamental disseram estar satisfeitos com o salário.
O índice não mudou significativamente em relação a 2018.
No Brasil, a satisfação é ainda menor: 22,3% dos professores disseram estar satisfeitos com o salário na mesma pesquisa. O índice aumentou quatro pontos percentuais desde 2018.
130,63 para uma jornada de 40 horas semanais, com reajuste de 5,4%.
No entanto, o piso não é o salário recebido por todos os professores brasileiros. Estados e municípios possuem planos de carreira próprios, e a remuneração efetivamente paga depende da rede, da jornada, da formação e da posição do profissional na carreira.
Os dados revelam que a insatisfação salarial é um problema nos dois países, mesmo que os salários não tenham exatamente o mesmo comportamento e as reivindicações tenham origens diferentes.
🕰️ Jornada: professores brasileiros passam mais tempo dando aulas.
A diferença fica mais evidente quando se olha para a distribuição da jornada de trabalho.
Segundo o TALIS 2024, professores em tempo integral dos anos finais do ensino fundamental disseram trabalhar, em média.
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