Ir para o conteúdo

Quinta-feira, 1 de outubro de 2026 | Corumbá - MS | 27°C Parcialmente nublado

Economia

Títulos públicos têm maior rendimento nos EUA, Reino Unido, França e Japão em duas décadas

Treasuries de 10 anos atingem maior valor desde 2002, assim como na França

4 min de leitura
Economia — imagem padrão

Uma brutal liquidação global de títulos públicos se aprofundou nesta quinta-feira (1°), levando os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA ao maior nível desde 2002 e intensificando a pressão da alta nos preços do petróleo sobre as finanças públicas em todo o mundo.

  • Dívida bruta do Brasil atinge 82,9% do PIB em agosto, maior nível em cinco anos, mostra BC.
  • Sergio Vale: Juro longo de 5% nos EUA mostra que ajuste fiscal não será simples.
  • Juro dos Treasuries de 30 anos dos EUA atinge maior nível desde 2002.

Os rendimentos dos títulos do Reino Unido de 30 anos ultrapassaram 6% na quinta-feira pela primeira vez desde 1998, enquanto as ações europeias despencaram diante da preocupação dos investidores com as possíveis consequências da disparada dos rendimentos.

Os investidores queriam evitar danos, afirmou Mike Bell, chefe de estratégia de mercado da RBC BlueBay Asset Management, acrescentando que havia "muitas vendas motivadas por fatores técnicos em curso.

Investidores alertaram que os saltos nos rendimentos foram agravados por fundos hedge e outros grandes investidores, que se viram obrigados a se desfazer de títulos de dívida de longo prazo para compensar o efeito da alta dos juros sobre suas carteiras mais amplas de dívida ou para desmontar operações deficitárias à medida que o mercado recuava.

Chegamos a um ponto em que muitas pessoas estão sendo forçadas a encerrar posições compradas ou pensando: 'não quero manter isso enquanto [o rendimento] continua subindo'", comentou Bell.

Em um sinal do aumento do pessimismo, os títulos públicos europeus registraram altas excepcionalmente grandes em seus rendimentos. O rendimento dos títulos da França de 10 anos subiu 0,11 ponto percentual, para 4,95%, o maior nível em 25 anos, enquanto o país se encaminha para semanas de disputas em torno de um Orçamento difícil.

O Reino Unido também enfrenta uma redução substancial de sua margem de manobra orçamentária.

Há meses, os mercados de títulos vêm sendo abalados pelo temor de uma inflação mais alta, desencadeada pelo choque energético no Oriente Médio. Os preços do petróleo e os Treasuries apresentam sua relação mais estreita desde 1990.

Esse quadro foi intensificado por dados robustos da economia norte-americana, que reforçaram ainda mais as expectativas de juros mais elevados.

Os operadores se preparam para novas oscilações, com o índice Ice BofA Move, que mede a volatilidade implícita dos Treasuries, aproximando-se do pico alcançado nas primeiras semanas do conflito.

À medida que as preocupações com os títulos se espalharam pelos mercados asiáticos, os rendimentos dos títulos do Japão subiram 0,04 ponto percentual, para 3,1%, perto da máxima em várias décadas.

Mitul Kotecha, chefe de estratégia macroeconômica para câmbio asiático e mercados emergentes do Barclays, afirmou que a pressão sobre os títulos japoneses decorria de "uma combinação do reflexo do que está acontecendo no mercado dos EUA e, em certa medida, da incerteza sobre o aperto [dos juros] pelo [Banco do Japão].

São as preocupações fiscais que continuam influenciando o mercado", declarou.

Os spreads de crédito também se ampliaram nos últimos dias, à medida que os investidores temem que a volatilidade nos mercados de títulos públicos possa se espalhar para os mercados de crédito, que determinam os custos de financiamento das empresas.

O juro adicional pago por empresas europeias com grau de investimento em relação ao rendimento dos títulos públicos subiu para quase 0,9 ponto percentual nesta semana, o maior nível desde abril, segundo dados da Ice BofA.

Há o risco de que os spreads de crédito acompanhem [a alta dos rendimentos]", avaliou Andrew Jackson, chefe de investimentos da Vontobel Asset Management.

Dados de inflação divulgados na quarta-feira (30) em vários países europeus —como Alemanha, França e Itália— mostraram pressões sobre os preços maiores do que os analistas esperavam, ampliando os temores dos investidores de que o choque nos preços da energia esteja se traduzindo em dificuldades econômicas, embora dados dos EUA tenham apontado queda na medida de inflação preferida do Federal Reserve.

Os investidores têm sido surpreendidos pela alta implacável dos rendimentos dos títulos globais, em um cenário no qual os problemas de cada mercado, incluindo Japão, França e EUA, alimentam-se mutuamente.

À medida que [os rendimentos] sobem, eles puxam uns aos outros para cima", afirmou Guy Miller, estrategista-chefe de mercado da Zurich.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Economia