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Economia

Quarta derrota seguida deixa futuro político de Haddad em aberto

Aliados veem chance de assumir Casa Civil ou Justiça, caso Lula seja reeleito

3 min de leitura
Economia — imagem padrão

A derrota de Fernando Haddad (PT) no primeiro turno da eleição para o Governo de São Paulo, neste domingo (4), enquanto Lula (PT) avança para um segundo turno acirrado com Flávio Bolsonaro (PL) deixa o futuro do ex-ministro da Fazenda em aberto.

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O ex-prefeito da capital paulista evitou tratar explicitamente do tema em conversas com aliados e afirmou estar concentrado na campanha, para a qual foi incumbido pelo próprio presidente Lula para repetir estratégia de 2022, quando o PT conseguiu reforçar a campanha em São Paulo para reduzir a vantagem de Jair Bolsonaro (PL) no estado na comparação com 2018.

Tarcísio garantiu sua reeleição no primeiro turno, em vitória sobre o petista, seu principal adversário. Com 90,02% das urnas apuradas, o atual governador tinha 62,85% dos votos válidos, contra 36,22% do adversário petista, que ficou em segundo lugar, informa o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Apesar de Haddad ter declarado, ao lançar sua pré-candidatura, que entraria na disputa para vencer, dentro do PT a derrota era tratada como o cenário mais provável diante da avaliação positiva de 47% da gestão Tarcísio, que liderou todos os cenários de pesquisas neste ano.

Até o início deste ano, o ex-ministro da Fazenda não queria se candidatar pelo receio de enfrentar a quarta derrota seguida nas urnas, após perder as eleições de 2016 (Prefeitura de São Paulo), 2018 (Presidência da República) e 2022 (Governo de SP).

No entanto, a insistência de Lula o fez mudar de ideia.

Haddad acompanhou a apuração em hotel na avenida Paulista. O futuro político dele está atrelado ao destino de Lula nestas eleições.

No caso de o presidente ser derrotado, é possível que o o ex-prefeito de São Paulo retome a carreira acadêmica e se dedique à militância. Professor do Departamento de Ciência Política da USP desde 1997, Haddad tem graduação em direito, mestrado em economia e doutorado em filosofia pela universidade.

A probabilidade é que Haddad seja nomeado novamente ministro na hipótese de eventual vitória de Lula, de acordo com petistas ouvidos pela reportagem.

Nos bastidores, aliados apontam a possibilidade de Haddad integrar a Casa Civil, alvo que o petista almeja desde 2022. A definição, entretanto, dependerá da conjuntura política e só deve ser definida nos dias seguintes ao segundo turno.

O Ministério da Justiça também aparece entre as possibilidades discutidas.

A experiência de Haddad no governo é um dos fatores que apontam nesse sentido. Ele foi ministro da Educação sob Lula de 2005 a 2012 e, no último governo, comandou a Fazenda.

No entanto, diz a aliados que não gostaria de ser ministro de nenhuma pasta que já comandou.

Caso seja nomeado para a Casa Civil, petistas veem como um sinal de que Lula estaria trabalhando para que ele fosse seu sucessor na Presidência, como fez com José Dirceu em seu primeiro governo, antes do caso do mensalão, e depois com Dilma Rousseff (PT).

No entanto, dentro do partido há quem diga que Haddad na Casa Civil pode gerar algum problema com outras siglas, em especial as de oposição, o que poderia atrapalhar nas negociações com o governo.

O futuro político do ex-ministro também vai depender do espaço que ele terá do PT depois da eleição.

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