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Economia

Plano da China busca liderar dados de IA e moldar sistemas no mundo

Pequim tenta romper barreiras internas para abastecer laboratórios

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Economia — imagem padrão

Quando o ChatGPT ainda era uma tecnologia nova, pesquisadores em Pequim testaram sua capacidade de lidar com perguntas em chinês. A reação deles aos resultados foi reveladora.

O chatbot descreveu o ex-astro da NBA Yao Ming como a primeira mulher chinesa a jogar basquete profissional nos Estados Unidos. Também confundiu dois clássicos da literatura chinesa, "Jornada ao Oeste" e "O Sonho da Câmara Vermelha", escritos com dois séculos de diferença.

Os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Pequim, que publicaram suas conclusões em 2023, também escreveram que o ChatGPT gerava uma grande quantidade de "comentários tendenciosos sobre a China" e "não evitava nem se recusava a responder a perguntas políticas sobre a China.

Desde então, o ChatGPT foi atualizado muitas vezes; não está claro como os resultados seriam diferentes hoje. Mas os exemplos apontaram para uma preocupação central na busca da China para se tornar uma potência em inteligência artificial (IA): os sistemas que moldam o futuro estão sendo treinados com conjuntos de dados predominantemente em inglês e refletem o que a China considera uma maneira ocidental de pensar.

Esse desequilíbrio também representa uma vulnerabilidade estratégica para o Partido Comunista Chinês, pois significa que as visões ocidentais provavelmente prevalecerão em questões como direitos humanos e a situação de Taiwan, a ilha autogovernada reivindicada por Pequim, segundo analistas.

Para corrigir essa lacuna e desenvolver ferramentas de IA mais poderosas, Pequim quer se tornar um dos principais fornecedores de dados —os enormes acervos de textos, imagens e vídeos— usados para treinar sistemas de IA em todo o mundo.

No início deste ano, a Administração Nacional de Dados do país apresentou um plano para transformar a China em uma potência de dados até o fim de 2028. O plano propôs a criação de conjuntos de dados de "alta qualidade" em mais de duas dezenas de áreas estratégicas, incluindo pesquisa científica, produção industrial e veículos autônomos.

O plano pede que a China compartilhe seus conjuntos de dados em todo o mundo. Essa diretriz foi reforçada no mês passado, quando a China se comprometeu a compartilhar dados para ajudar as dezenas de países em desenvolvimento que participaram da Conferência Mundial de Inteligência Artificial, em Xangai, a criar seus próprios sistemas de IA.

A China também já divulgou enormes acervos de dados organizados por laboratórios governamentais e veículos de comunicação estatais, disponibilizando-os para download em todo o mundo.

Segundo analistas, o objetivo é duplo: atrair mais usuários para a esfera de influência da IA chinesa e reduzir a distância em relação aos Estados Unidos no acesso a dados de treinamento de alta qualidade, algo que, na visão de Pequim, ajuda os americanos a manter sua liderança.

A competição na era da IA não diz respeito apenas a modelos e capacidade computacional, mas também ao fornecimento de dados de alta qualidade", escreveu Yu Xiaohui, presidente da Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicações, ligada ao Estado, em um artigo publicado no mês passado no site da Administração Nacional de Dados.

A CORRIDA POR MELHORES DADOS DE TREINAMENTO.

Sob o comando do principal líder da China, Xi Jinping, Pequim tornou a IA uma prioridade como tecnologia estratégica essencial para acompanhar os Estados Unidos e revitalizar a economia chinesa.

Para isso, os laboratórios chineses precisarão de dados cada vez mais sofisticados.

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