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Corumbá - MS | Domingo, 1 de novembro de 2026 | 14:43

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Economia

Petrolíferas resistem à pressão para investir em novas refinarias apesar da disparada dos combustíveis

Empresas aproveitam margens elevadas em meio à guerra no Irã e operam quase no limite de produção

5 min de leitura
Economia — imagem padrão

Houston |Financial Times As grandes petrolíferas optaram por usar os lucros extraordinários impulsionados pela guerra no Irã para distribuir bilhões de dólares aos acionistas e reduzir dívidas, apesar dos apelos de líderes políticos por investimentos vultosos para ampliar a capacidade de refino do Ocidente.

  1. Lucros de maiores petrolíferas da Europa atingem maior patamar em quatro anos.
  2. Petróleo segue perto de níveis recordes apesar da retomada das exportações do Golfo.
  3. Petrobras fecha outubro com 98% de utilização nas refinarias, diz diretor.

Preços da gasolina regular e premium em posto Shell, em Los Angeles (EUA), em meio à disparada do petróleo - DAVID SWANSON/AFP Os lucros foram impulsionados pelas divisões de refino das empresas, que operavam quase a plena capacidade na tentativa de tirar proveito dos preços elevados e compensar a escassez de oferta depois que a guerra no Irã interrompeu os embarques pelo Estreito de Hormuz.

Cerca de 10% da capacidade global de refino saiu de operação neste ano após o início da guerra e os ataques ucranianos a refinarias russas. As restrições às exportações impostas por Pequim e Moscou tornaram o mercado ainda mais apertado.

Executivos do setor disseram que as condições que elevaram as margens persistiriam por algum tempo, enquanto a Agência Internacional de Energia previu que a escassez de diesel duraria até 2027.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem pressionado as empresas a fortalecer as cadeias domésticas de abastecimento do setor de refino, convocou executivos petrolíferos para uma reunião na Casa Branca em setembro a fim de discutir formas de reduzir os preços dos combustíveis.

Líderes do G7 e da União Europeia também pediram mais investimentos para reforçar a segurança energética após a turbulência no mercado.

As grandes petrolíferas fizeram pequenos investimentos em refinarias existentes para aumentar o rendimento e elevar as taxas de utilização, mas evitaram construir novas instalações dispendiosas, que levariam anos para entrar em operação.

O analista da Morningstar Allen Good afirmou que, como a demanda por combustíveis deverá cair no futuro, "ninguém construirá uma refinaria do zero na Europa ou nos Estados Unidos, considerando o tempo que isso levaria.

Não acho que alguém considere as margens atuais sustentáveis de alguma forma", acrescentou.

Meg O’Neill, CEO da BP, disse que, embora a empresa não pretendesse se desfazer de mais refinarias —após vender neste ano sua unidade de Gelsenkirchen, na Alemanha—, também não ampliaria a capacidade "neste momento.

Refinarias menores dos Estados Unidos também evitaram novos investimentos. A Phillips 66 informou, durante sua teleconferência de resultados nesta semana, que estava concentrando a maior parte dos investimentos em ativos de midstream, usados para armazenar ou transportar produtos refinados.

Assim como as grandes petrolíferas, a Phillips 66 fez investimentos menores em suas instalações. "Não são investimentos [enormes] e transformadores, de vários bilhões de dólares", disse Brian Mandell, vice-presidente executivo de marketing e operações comerciais da Phillips 66.

São investimentos de dezenas ou centenas de milhões de dólares", que permitem à empresa ampliar "gradualmente" a capacidade e a utilização dos ativos.

A empresa disse que, inicialmente, retomaria até o fim de 2027 uma capacidade de processamento de 165 mil barris diários de petróleo leve e com baixo teor de enxofre, com o objetivo de processar petróleo mais pesado posteriormente.

Embora a capacidade de refino tenha diminuído nos Estados Unidos e na Europa, os investimentos continuaram em outras partes do mundo.

Terminal de petroleo em chamas em São Petersburgo depois de ataque ucraniano; veja fotos de hoje.

Carregando... Desde 2019, a China e o Oriente Médio acrescentaram 4,4 milhões de barris por dia, enquanto a Europa e a América do Norte perderam 2,1 milhões, segundo o Federal Reserve Bank de Dallas.

Novas refinarias entraram recentemente em operação na Nigéria, na Índia e no México.

Os grupos petrolíferos têm se mostrado relutantes em investir em novas instalações de refino, apesar da possibilidade de uma escalada das hostilidades no Oriente Médio —cenário que, segundo DeLaura, elevaria os preços e impulsionaria a inflação global.

Trump afirmou que seu governo "talvez realize outra pequena Fúria Épica", em referência ao nome dado pelo Pentágono à guerra que ele lançou contra Teerã em fevereiro.

Tanto o Irã quanto os Estados Unidos provavelmente atacarão infraestruturas em uma escala muito maior do que no início desta guerra", disse DeLaura. "A infraestrutura energética provavelmente será atacada.

Isso elevará os crack spreads do diesel e [da gasolina], bem como o preço do petróleo.

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Em números

  • Desde 2019, a China e o Oriente Médio acrescentaram 4,4 milhões de barris por dia, enquanto a Europa e a América
  • Do Norte perderam 2,1 milhões, segundo o Federal Reserve Bank de Dallas

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