Ir para o conteúdo

Quarta-feira, 30 de setembro de 2026 | Corumbá - MS | 26°C Parcialmente nublado

Economia

O canto da sereia do ajuste fiscal no próximo mandato

Governo fala o que o mercado quer ouvir, sem credibilidade ou consistência

2 min de leitura
Economia — imagem padrão

Em tempos de eleições nas ruas e de "Odisseia" nos cinemas, o ministro da Fazenda foi escalado para atrair o mercado com um canto das sereias. Entoando a sexagenária "daqui para frente, tudo vai ser diferente", de Roberto e Erasmo, prometeu um ajuste fiscal que carece de credibilidade e consistência.

A falta de credibilidade se constata em atos e falas das autoridades. O presidente da República acaba de prometer mais gastos fora dos limites do arcabouço fiscal, dessa vez para a área de ciência e tecnologia. Os ministros da Fazenda e Planejamento não perdem oportunidade de declarar que os juros altos não são causados pelo desequilíbrio fiscal.

Publicaram dois documentos frágeis em que tentam provar teses contraditórias: o primeiro estudo defende que as ações eleitoreiras do governo aumentarão a demanda agregada, gerando investimentos, emprego e crescimento; enquanto o segundo diz que as mesmas políticas não impactam a demanda agregada e, por isso, não afetam a inflação.

Nos últimos dias, o governo editou medidas provisórias para capitalizar fundos garantidores de crédito subsidiado, renovar programa de renegociação de dívidas e distribuir dinheiro barato para diversos setores: companhias aéreas, usineiros, exportadores, estudantes do Fies. Também propôs aumento do subsídio aos microempreendedores.

Promete-se que depois das eleições "tudo vai ser diferente". O centro da proposta seria reduzir o limite máximo de crescimento das despesas no arcabouço fiscal, que passaria de 2,5% para 1,5%.

Aqui chegamos na inconsistência. O arcabouço é um navio de casco furado, no qual entra mais água que nas naus do enrascado Ulisses. Desde julho de 2023, a despesa cresce a 3,9% ao ano acima da inflação (8,2% nos 12 meses até julho de 2026). Supera em muito o limite de 2,5%. De que adianta reduzir um limite que não é cumprido? Quantas novas exceções serão criadas depois de reduzido o limite?

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Economia