A Justiça de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA), anunciou a companhia nesta quarta-feira (7), em comunicado ao mercado.
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- 🔎 O que é recuperação extrajudicial? É um mecanismo usado por empresas para renegociar dívidas diretamente com seus credores, sem passar pelo processo de recuperação judicial. O objetivo é obter condições mais favoráveis de pagamento, como prazos maiores, e reorganizar as finanças da companhia.
- A maioria (88,40%) escolheu a Opção A, sem desconto na dívida, mas com participação em um aporte de R$ 200 milhões. Parte do valor será convertida em títulos com juros e outra em títulos que poderão virar ações do GPA entre 2027 e 2031.
- Outros 8,34% dos credores escolheram a Opção B, que prevê um prazo maior para o pagamento, com vencimento em 2036 e remuneração atrelada ao CDI.
- Já os 3,26% restantes foram incluídos na Opção C, destinada aos credores que não escolheram as demais alternativas. Nesse caso, há um desconto de 70% sobre o valor da dívida, com início dos pagamentos apenas em 2032 e quitação prevista para 2036.
- A queda no consumo, especialmente em períodos de alta na inflação de alimentos.
- Os juros elevados, que aumentaram o custo das dívidas da empresa.
- O pagamento de dívidas fiscais e trabalhistas; e.
- As perdas de lojas com baixo desempenho.
- Reduzir riscos à operação, incluindo negociações com credores para alongar prazos das dívidas.
- Diminuir despesas e gastos com juros; e.
- Converter créditos tributários em dinheiro para reforçar o caixa.
Com acordo extrajudicial, GPA garante que lojas continuem funcionando.
A Justiça havia autorizado, em março, o processamento do pedido apresentado pelo GPA. Agora, com a homologação, o plano foi oficialmente aprovado e passa a valer nos termos acordados com os credores.
O GPA entrou com o pedido em março, no mesmo dia em que anunciou um acordo com seus principais credores para renegociar as dívidas.
Embora o acordo seja negociado diretamente entre a empresa e os credores, ele precisa ser homologado pela Justiça para produzir os efeitos previstos em lei.
No caso do GPA, a negociação envolve principalmente dívidas financeiras. Impostos, dívidas trabalhistas e obrigações do dia a dia, como pagamentos a fornecedores, prestadores de serviços e aluguéis, ficaram fora do plano.
Isso significa que as operações das lojas não fazem parte da renegociação.
A companhia reforça que suas operações seguem normais e que está em dia com suas obrigações junto a fornecedores, clientes e demais parceiros, os quais não integram a recuperação extrajudicial", afirmou o GPA em comunicado.
De acordo com o plano homologado pela Justiça, os credores puderam escolher entre três formas de receber.
Segundo a companhia, o principal efeito do acordo é dar mais tempo para a companhia pagar suas dívidas. Com a reestruturação, o prazo médio para o pagamento da dívida que não será convertida em ações passa de 2,1 anos para 6,4 anos.
Além disso, a dívida terá juros equivalentes ao CDI, taxa usada como referência no mercado financeiro, mais 0,5 ponto percentual ao ano.
Com isso, o GPA troca parte dos pagamentos que teria de fazer nos próximos anos por uma dívida com prazo mais longo, reduzindo a pressão sobre o caixa da empresa no curto prazo.
Entenda a crise do Grupo Pão de Açúcar.
O Grupo Pão de Açúcar registra prejuízos anuais desde 2022, resultado de diversos fatores que pressionaram seus resultados.
Nos últimos meses, o GPA acendeu um alerta no mercado financeiro ao informar, no balanço trimestral, que havia dúvidas sobre sua capacidade de manter as operações no longo prazo.
Assim, mesmo com melhora nos resultados, a empresa continuou a registrar prejuízo.
Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia", disse a empresa no documento, divulgado no final de fevereiro.
A empresa afirmou ainda que já adotava medidas para.
O GPA passou por mudanças relevantes no último ano, com o Grupo Coelho Diniz assumindo a posição de principal acionista, com 24,6% das ações. O grupo francês Casino, ex-controlador, ainda detém 22,5% da empresa.
Em outubro, o empresário André Coelho Diniz foi eleito presidente do conselho de administração. Na sequência, o presidente-executivo Marcelo Pimentel, que estava no cargo desde 2022, renunciou.
No início de 2026, Alexandre de Jesus Santoro foi eleito diretor-presidente da companhia.
Nos últimos 12 meses, as ações do GPA, negociadas sob o código PCAR3, acumulam queda de 21,12% na bolsa.
Em números
- Justiça homologa plano de recuperação extrajudicial do GPA para renegociar R$ 4,6 bilhões em dívidas
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