Oito empresas do grupo entraram no processo, cujo pedido foi formalizado em 16 de outubro. Além de duas securitizadoras, estão incluídas firmas que atuam com gestão de negócios, imóveis, comunicação e marketing e produção de eventos.
Todas são controladas pelo empresário Ik Cavalcanti Albuquerque.
No Banco Central, a Euro17 é classificada como uma sociedade de crédito não bancária, de segmento S5, que reúne instituições de pequeno porte, com exposição inferior a 0,1% do PIB (Produto Interno Bruto).
Fachada de unidade da Euro17 Crédito, em São Paulo (SP) - Divulgação/Euro17 Na petição, o grupo afirma que a crise é eminentemente financeira e não decorre de problemas no modelo de negócios.
Segundo a argumentação, houve um descasamento de prazos, já que o grupo emprestava dinheiro a clientes que pagavam em períodos de 12 a 18 meses, enquanto os investidores que financiavam o negócio podiam pedir o resgate de uma só vez.
A maior parte do dinheiro veio de debêntures, títulos de dívidas emitidos pela Euro Securitizadora e pela Prime Euro Securitizadora. As ofertas, porém, não foram registradas na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Há investigações sobre o caso desde, pelo menos, março deste ano. Uma delas envolve a Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros de São Paulo. Procurada pela reportagem, a empresa disse que aguarda o deferimento do pedido de recuperação judicial protocolado.
Assim que houver decisão, faremos um comunicado oficial para o mercado.
Segundo investidores, a empresa não repassa pagamentos desde junho. "A operação deles é de altíssimo risco, dependiam de captação de recursos para remunerar seus investidores", diz o advogado Luiz Alfredo Bianconi, que representa parte dos debenturistas.
Em 73% dos casos, juros e principal seriam pagos de uma só vez, no vencimento.
O grupo atribui a crise a dois fatores, sendo o primeiro a alta da inadimplência na carteira de crédito pessoal, e o segundo o que a defesa classificou como externo, a crise do Banco Master.
Segundo a petição, a liquidação do banco de Daniel Vorcaro abalou a confiança de investidores de varejo em renda fixa privada. Antes dos escândalos, o índice de debenturistas que resgatavam dinheiro no vencimento girava entre 30% e 35%, mas atualmente ele supera os 65%.
A companhia afirma que todo o dinheiro captado passou a ser usado para pagar os resgates de investidores. A concessão de novos empréstimos, principal fonte de receita do grupo, ficou praticamente paralisada.
No pedido de RJ, o grupo pede a consolidação substancial das empresas como um único devedor, bem como uma lista única de credores e um plano de pagamento. Além disso, a companhia pediu a suspensão de execuções, bloqueios e penhoras por 180 dias e a proibição de que bancos retenham recebíveis e de que seja cortado o fornecimento de serviços essenciais.
No início do mês, o grupo havia entrado com uma tutela cautelar antecedente, um tipo de pedido de proteção urgente feito antes da recuperação judicial. A empresa pedia 60 dias de suspensão de cobranças e que o caso corresse em segredo de Justiça.
Nesta quinta-feira (22), um grupo de debenturistas entrou no processo pedindo acesso aos autos. Dos 45 credores, 34 já movem ações contra a securitizadora em varas cíveis da capital paulista, várias com arresto (bloqueio cautelar) de recursos já autorizado.
Os credores afirmam que o processo segue indisponível para consulta no sistema eletrônico do Tribunal de Justiça, mesmo após a juíza negar o segredo de Justiça.
Eles alegam que souberam da recuperação judicial por uma certidão de distribuição emitida em 21 de outubro.
Em seu site, o grupo afirma que passa por uma nova etapa de reestruturação, iniciada no último dia 7, com o departamento de comunicação iniciando contatos, de forma individual, com investidores.
Eles foram divididos em grupos, com contatos iniciais entre os investidores mensalistas, com perfil de prioridade social (como idosos e casos especiais), e investidores com obrigações vencidas, além dos debenturistas.
O objetivo desta fase é compreender cada situação de forma individualizada, avaliar alternativas de composição e buscar tratativas compatíveis com a capacidade econômico-financeira momentânea da companhia", diz um aviso na página do grupo.
O Euro17 diz reconhecer os desafios enfrentados, mas afirma que a "reestruturação segue em andamento satisfatório, com governança dedicada e renovado compromisso com a transparência, a responsabilidade e a continuidade das operações.
Conheça algumas das principais aplicações da renda fixa.
Carregando... RAIO-X | Grupo Euro17 Fundação: 2017 Sede: São Paulo Controlador: Ik Cavalcanti Albuquerque O que faz: concede crédito pessoal e financiamentos e vende debêntures a investidores pessoas físicas.
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Em números
- Grupo Euro17 pede recuperação judicial com dívida de R$ 1,7 bilhão e mais de 5
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