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Economia

Executivos estão otimistas com IA, mas funcionários temem substituição

Levantamentos mostram diferença forte entre otimismo dos CEOs e receio da base

5 min de leitura
Economia — imagem padrão

The New York Times Quando o assunto é inteligência artificial, CEOs e suas equipes não estão falando a mesma língua.

  • Mercado ainda não capturou valor da IA, diz executiva da Deloitte.
  • Temendo demissões provocadas pela IA, parlamentares dos EUA buscam formas de ajudar trabalhadores.

Cada vez mais, líderes empresariais destacam ganhos de produtividade em teleconferências de resultados e entrevistas e afirmam estar agindo de forma justa com seus funcionários à medida que implementam a tecnologia.

Mas os trabalhadores estão muito mais preocupados com a possibilidade de serem substituídos e não confiam nos executivos de suas empresas.

Uma pesquisa recente do Listening Project, do Milken Institute-Harris Poll, constatou que mais de dois terços dos líderes empresariais esperam estar em melhor situação financeira daqui a cinco anos por causa da IA, enquanto apenas 27% da força de trabalho dos EUA pensam da mesma forma —uma diferença impressionante de 41 pontos percentuais.

Levantamentos mostram diferença forte entre otimismo de CEOs e receio de funcionários - Catarina Pignato/Folhapress Os trabalhadores também percebem um impacto transformador menor da IA do que as lideranças.

Segundo um relatório da Wharton School divulgado neste mês, 73% dos líderes afirmam que a IA mudou significativamente a forma como o trabalho é realizado, em comparação com 58% dos funcionários em cargos iniciais e intermediários.

Temos executivos em salas de alto escalão e funcionários em baias movimentando a mesma economia, mas vivendo realidades completamente diferentes", disse por e-mail John Gerzema, CEO da Harris Poll.

Há um abismo entre a esperança dos líderes quanto ao que a IA poderia trazer às empresas e a percepção dos funcionários sobre o que ela está tirando deles.

O que talvez seja ainda pior é que os CEOs não parecem reconhecer essa desconexão nem perceber que estão perdendo a confiança de seus funcionários.

Por exemplo: apenas 15% dos CEOs disseram estar preocupados com a possibilidade de sua abordagem em relação à IA minar a confiança dos funcionários, segundo uma pesquisa divulgada neste mês pela consultoria de gestão BCG.

No entanto, 40% dos trabalhadores afirmaram que seus CEOs não têm sido transparentes o suficiente sobre o impacto da IA em suas funções e trajetórias profissionais.

A desconfiança não favorece uma transformação bem-sucedida, disse Julia Dhar, líder da área de pessoas e organizações da BCG na América do Norte e uma das autoras do estudo.

Você não conseguirá fazer com que as pessoas de que precisa passem a usá-la de forma mais intensiva", disse Dhar. "E há uma grande probabilidade de haver retrocesso ou regressão por parte de outras pessoas.

Hemant Taneja, que comanda a empresa de capital de risco General Catalyst, disse que as conclusões do relatório da BCG não eram surpreendentes, mas refletiam uma realidade com a qual ele se identificava.

Quanto maior a ambiguidade, mais é preciso se comunicar", disse Taneja em entrevista. "Também estou sentindo na pele as dificuldades disso em meu próprio negócio.

Ele afirmou que vem trabalhando para conquistar confiança explicando a funcionários e fundadores suas decisões relacionadas à IA, especialmente quando elas mudam.

É preciso ter a vulnerabilidade de admitir que não temos todas as respostas", disse Taneja. "Sabemos, em linhas gerais, para onde ir, mas não temos todas as respostas; por isso, não há problema em rever premissas e mudar de ideia." Dhar contou que um CEO que ela conhece inicia conversas francas sobre IA perguntando aos funcionários da linha de frente: "Qual é a coisa mais sem sentido que fazemos nesta empresa.

Segundo ela, a abordagem funciona porque não envolve julgamentos, e o CEO não precisa concordar nem prometer que investigará mais a questão.

Mas você oferece às pessoas uma maneira muito fácil de fazer com que sua voz seja ouvida", disse ela.

Tim Walsh, chefe da área de consultoria da KPMG, afirma que, quando visita escritórios em diferentes cidades, faz questão de conversar tanto com os sócios da empresa quanto com os funcionários.

Preciso entender como eles estão se sentindo, como a tecnologia está sendo recebida e quais são suas preocupações", disse Walsh em entrevista. "Posso dizer que, no meu nível hierárquico, é difícil obter essas informações.

Walsh afirmou que ainda não dominou a arte de fazer com que funcionários sem cargos de chefia se abram completamente diante dele. A KPMG recorre a pesquisas anônimas com funcionários, nas quais os profissionais mais jovens podem se sentir mais à vontade para reclamar.

Apesar da dificuldade de conquistar a confiança dos trabalhadores em relação à IA, há um aspecto positivo para os CEOs. A desconfiança dos americanos em relação a eles —e, especificamente, ao CEO da própria empresa— é menor do que a desconfiança em relação a outras instituições da sociedade americana, como veículos de comunicação, ONGs e o governo, segundo o Barômetro da Confiança Edelman, que mede os níveis de confiança há 26 anos.

A pesquisa também constatou que os funcionários nos EUA valorizam ouvir seus líderes falar sobre IA, mesmo quando eles não têm todas as respostas.

As pessoas costumam ser muito realistas quanto à realidade dos negócios, e seus pedidos muitas vezes são bastante modestos", disse Dhar. "Elas dizem: ‘Eu só espero que os líderes sejam capazes de falar com honestidade e clareza sobre as mudanças que estamos fazendo e as razões por trás delas’.

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