Brasília A área técnica do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condicionou a aprovação da compra da farmacêutica Medley pela EMS à adoção de medidas para preservar a concorrência em dois grupos de medicamentos.
- Produtos: antibióticos, anti-inflamatórios, antidiabéticos, gastrointestinais, oncológicos e outros.
- Faturamento em 2025: R$ 10,9 bilhões.
- Principais concorrentes: Eurofarma, Neoquímica, Cimed, Hypera Pharma, Aché.
- Produtos: analgésicos, antibióticos, anti-inflamatórios, vitaminas e outros.
Os compromissos envolvem o Clomid, usado em tratamentos de fertilidade, e a Naratriptana, indicada para crises de enxaqueca. Em um dos casos, as empresas terão de transferir o medicamento a uma empresa terceira; no outro, poderão manter a fabricação.
As restrições propostas, que já tiveram o aval das farmacêuticas, buscam evitar que a combinação dos portfólios das duas farmacêuticas resulte em poder excessivo de mercado, com potencial para dificultar a atuação de concorrentes ou permitir aumentos de preços.
Loja da rede de farmácias Drogasil no Morumbi Shopping, zona sul de São Paulo - Jardiel Carvalho - 07.abr. 26/Folhapress A operação, anunciada em março deste ano, envolve a compra de 100% da Medley, que pertence à farmacêutica francesa Sanofi, pela Novamed, do grupo EMS, do empresário Carlos Sanchez.
O negócio inclui o portfólio de medicamentos da farmacêutica, suas marcas e direitos de propriedade intelectual, além de duas unidades industriais em Campinas (SP).
Em setembro, a área técnica do Cade já havia declarado a operação como "complexa", exigindo uma análise mais aprofundada em relação a esses dois mercados. A decisão na ocasião frustrou a expectativa das empresas, que aguardavam um aval final do Cade até setembro.
Em parecer publicado na noite desta quarta-feira (4), a avaliação da Superintendência-Geral foi de que a operação não apresenta riscos concorrenciais relevantes na maior parte dos mercados analisados.
O parecer destaca a existência de um número elevado de fabricantes de medicamentos genéricos, capacidade produtiva instalada e baixa fidelidade dos consumidores às marcas, com o preço como principal fator de competição.
O ato de concentração envolve a aquisição de 253 medicamentos, em sua maioria genéricos, distribuídos em 120 mercados de produtos diferentes.
No mercado de medicamentos no Brasil, a EMS e a Medley concorrem com grandes laboratórios como Eurofarma, Aché, Hypera, Cimed, Neo Química, Biolab e Prati-Donaduzzi, além de outros fabricantes.
Com o caso submetido ao tribunal, não há garantias de que será aprovado ainda este ano, já que restam poucas sessões até o recesso do Cade.
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