A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira, 30, a continuidade da bandeira tarifária verde para o mês de novembro, sem nenhuma cobrança adicional pelo consumo.
Em outubro, o início da transição entre os períodos seco e úmido levou ao aumento do volume de chuvas nas regiões Sul e Sudeste, o que contribuiu para estabilizar o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas.
A bandeira verde reflete as condições favoráveis de geração, com o aumento de chuvas nas regiões onde estão localizadas as principais usinas hidrelétricas.
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A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) já apresentava perspectiva de bandeira verde a partir de outubro, nos cinco cenários traçados pela empresa.
Isso representa uma mudança em relação ao mesmo período de 2025, quando o atraso no início do período úmido contribuiu para a adoção da bandeira vermelha patamar 1.
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Além do risco hidrológico (GSF), gatilho para o acionamento das bandeiras mais caras, outro fator de peso é o aumento do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), valor calculado para a energia a ser produzida em determinado período.
Apesar da perspectiva mais favorável, a atuação do El Niño mantém um cenário de atenção para o período. O fenômeno pode alterar o regime de chuvas e as temperaturas.
O cenário climático adverso prevê menor disponibilidade de energia produzida na região Norte do País e aumenta a carga do sistema elétrico devido à elevação das temperaturas e ao consequente crescimento do consumo de energia.
O Ministério de Minas e Energia (MME), liberou, em julho, a antecipação do início do suprimento de cinco contratos vencedores do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Energia (LRCE 2022) e do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026).
A justificativa foi garantir potencial adicional ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro.
Pela previsão do setor, será o maior El Niño da história, com 95% de probabilidade de impacto forte entre outubro e dezembro. A Aneel comunicou que os geradores de energia dos sistemas isolados do Norte (não conectados ao sistema elétrico) passaram a receber antecipadamente os recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para que ocorra o estoque de combustível na região.
O motivo é a possibilidade de dificuldade de navegação com a previsão de um super El Niño.
Para Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, embora o El Niño ainda seja um fator de atenção, o risco associado ao fenômeno vem diminuindo, já que seus principais impactos se concentram na primavera.
Ele também apontou para possível influência nos preços com a nova metodologia de carga da ANDE, empresa estatal de energia do Paraguai, prevista para entrar em vigor em janeiro.
A expectativa de aumento do consumo paraguaio da energia de Itaipu pode reduzir a disponibilidade para o mercado brasileiro e pressionar os preços aqui.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alerta que as condições do sistema elétrico “ainda exigem cautela e acompanhamento, especialmente diante da recuperação insuficiente dos reservatórios e das previsões climáticas para as próximas semanas”.
Para a Federação, o resultado favorável não significa que os riscos para os custos de energia estejam superados.
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