No caso de Newton Mendonça, falecido aos breves 33 anos, vítima de infarto, um show do cantor Zé Renato com o quarteto carioca Conexão Rio – programado para a próxima sexta-feira, 30 de outubro, na casa Manouche, no Rio de Janeiro (RJ) – tentará jogar luz sobre a importância de Newton Ferreira de Mendonça, cujo centenário de nascimento, assim como de Jobim, é em 2027.
Para Zé Renato, o show “NewTom – Uma visita ao repertório de Newton Mendonça e Tom Jobim” simboliza dupla comemoração. Já reconhecido como um dos melhores cantores do Brasil desde que foi revelado como um dos vocalistas do grupo Boca Livre, no fim da década de 1970, o artista celebra 70 anos de vida (completados em 1º de abril) e 50 de carreira, iniciada em 1976 quando o então debutante José Renato Botelho Moschkovich integrou o grupo vocal Cantares.
Com o toque do Conexão Rio, grupo formada por André Cechinel (piano), Fernando Barroso (baixo), Fernando Clark (guitarra) e Zé Mario (bateria), Zé Renato vai mostrar no show que Newton Mendonça foi um parceiro fundamental de Tom Jobim.
Basta dizer que, com Newton, Tom compôs no segundo semestre de 1958 nada menos do que o dissonante samba que se impôs como a carta de intenções da bossa nova, “Desafinado”, gravado ainda em 1958, mas lançado em disco em fevereiro de 1959 por ninguém menos do que João Gilberto (1931 – 2019).
Sem falar no também antológico “Samba de uma nota só”, lançado em 1960, ano da morte de Newton, mas a rigor esboçado desde 1954.
Juntos, os parceiros também compuseram um terceiro standard de alcance mundial, “Meditação”, música lançada em 1959 em gravação da cantora Isaura Garcia (1919 – 1993).
Os caminhos profissionais de Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça se cruzaram em 1952 na boate carioca Posto Cinco. No ano seguinte, 1953, o cantor Mauricy Moura (1926 – 1977) teve a primazia de lançar a parceria dos compositores em disco com a gravação de “Incerteza”.
Seguiram-se gravações de outras músicas da parceria, casos da conhecida e bastante regravada “Foi a noite” – apresentada em 1956 em gravação de Sylvia Telles (1935 – 1966) – e de “Luar e batucada”, samba mais tradicional e menos famoso, também lançado em 1956 pela recorrente Sylvia Telles.
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