A atualização do documento foi feita na tarde desta terça-feira (20), após a advogada do apresentador comparecer à polícia com uma procuração e apresentar uma petição sobre o caso.
Fred passou a constar oficialmente como vítima da ocorrência, o que não acontecia na primeira versão do boletim, registrada na madrugada de segunda-feira (19).
O novo documento, obtido pelo g1, também informa que a Polícia Civil expediu uma guia para que o apresentador seja submetido a exame no Instituto Médico Legal (IML), com o objetivo de constatar as lesões sofridas.
O boletim não informa se Fred já realizou o exame.
Inicialmente, a ocorrência havia sido registrada apenas como disparo de arma de fogo. A inclusão do novo crime no boletim não significa que o parlamentar tenha sido indiciado.
Fred relatou impacto e inchaço no pé.
O disparo ocorreu na madrugada de segunda-feira (19), durante uma confusão no bar Santo, no Itaim Bibi.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Fred contou que estava no estabelecimento com amigos quando ouviu um barulho forte e sentiu um impacto no pé.
Começou uma queimação muito estranha, uma dor que eu nunca tinha sentido antes ali e aí eu falei, cara, aconteceu alguma coisa", relatou o apresentador.
Segundo Fred, o tênis que usava foi atingido e rasgado, e seu pé começou a inchar e latejar. Ele afirmou que procuraria atendimento médico e orientação jurídica para apresentar os documentos às autoridades.
Vou pegar tudo isso e vou apresentar à delegacia, vou apresentar às autoridades para que todo esse caso seja esclarecido porque um fato desse não pode ser passado impune", declarou.
O apresentador também criticou o fato de uma pessoa estar armada dentro de uma casa noturna.
Hoje eu tô bem, mas poderia ter acontecido algo muito grave comigo, com outras pessoas que estavam dentro do estabelecimento", afirmou.
Deputado teria importunado mulheres antes do disparo.
Segundo testemunhas ouvidas pelo g1, Marcelo Aguiar apresentava sinais de embriaguez e estava abordando mulheres dentro da casa noturna antes da confusão.
Uma das frequentadoras afirmou que o deputado estava "absurdamente bêbado", "xavecando", "pegando na mão", "encostando" e "tentando mexer no cabelo" de mulheres que não demonstravam interesse.
De acordo com a testemunha, homens que acompanhavam uma das mulheres se aproximaram do parlamentar e pediram que ele parasse. Houve uma discussão e, em seguida, o disparo.
A versão sobre como o tiro aconteceu ainda é investigada. No registro da Polícia Militar, consta que o deputado teria se sentido acuado, sacado a arma e efetuado um disparo.
Já uma testemunha ouvida pelo g1 relatou que Marcelo caiu no chão no momento em que o tiro foi disparado.
Em depoimento à Polícia Civil, o deputado afirmou que passou mal durante a permanência na casa noturna, possivelmente em razão de medicamentos que havia ingerido.
Ele declarou que ouviu o disparo e que, caso o tiro tenha partido de sua arma, ocorreu de maneira acidental.
A Polícia Civil também apura as denúncias de importunação sexual contra mulheres que estavam no estabelecimento e tenta identificar os homens envolvidos na discussão.
Deputado foi liberado após ser levado à delegacia.
Após o disparo, Marcelo Aguiar foi retirado do estabelecimento por seguranças. Policiais militares que atenderam a ocorrência relataram que foi necessário algemá-lo devido ao estado de exaltação e ao risco à integridade física dele e de outras pessoas.
O parlamentar foi conduzido ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros, mas não teve a prisão em flagrante formalizada.
Segundo o delegado responsável pelo registro, a imunidade formal parlamentar impede a prisão em flagrante de deputados estaduais, salvo em casos de crimes inafiançáveis.
Como a ocorrência foi inicialmente enquadrada como disparo de arma de fogo, crime afiançável, Marcelo foi liberado.
A pistola Glock G42, calibre . 380, pertencente ao deputado, foi apreendida para perícia. A arma estava regularizada, e o parlamentar tinha autorização para portá-la.
A investigação também deverá esclarecer se o disparo foi acidental ou intencional.
Além disso, a polícia apura o uso de uma placa oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em um veículo utilizado pelo deputado naquela noite. O automóvel não consta entre os veículos autorizados pela Casa a circular com a identificação.
A Comissão de Ética da Alesp também foi acionada pelas deputadas Ediane Maria e Monica Seixas, ambas do PSOL, para analisar a conduta do parlamentar.
Em nota divulgada após a ocorrência, a assessoria de Marcelo Aguiar afirmou que ele estava sob efeito de medicamentos fortes, que teriam provocado uma reação adversa.
A assessoria do deputado Marcelo Aguiar informa que, sobre o episódio ocorrido na noite do último domingo, o parlamentar estava sob efeito de medicamentos fortes, que provocaram uma reação adversa, e acabou se envolvendo em uma discussão", declarou.
A assessoria também negou que ele tenha sido preso.
Em nenhum momento o deputado foi preso. Ele apenas prestou esclarecimentos na delegacia e foi liberado em seguida.
A defesa afirmou ainda que o parlamentar confia na Justiça e acredita que os fatos serão esclarecidos.
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