O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) entregou, de forma póstuma, a carteira profissional de médico ao estudante Marco Aurélio Cardenas Acosta, que foi morto com um tiro à queima-roupa disparado por um policial militar em novembro de 2024, antes de concluir o curso de Medicina.
- Justiça nega recurso e PMs acusados de matar estudante de medicina em SP vão a júri popular.
- Bombeiros levaram estudante morto por tiro de PM a hospital que sabiam estar com emergência fechada, diz ficha médica.
- PM que matou estudante de medicina em SP deu versões diferentes do crime antes de registrar boletim de ocorrência.
A cerimônia aconteceu em uma sessão solene na sede do Cremesp, no Centro de São Paulo, na quarta-feira (7). Sob forte aplausos, a entrega do documento foi realizada pelo presidente do órgão, Ângelo Vattimo, aos pais do jovem, os médicos Júlio César Acosta Navarro e Silvia Mônica Cardenas Prado.
Após subir no palco emocionado, Júlio César agradeceu o gesto do Cremesp que classificou como "de ética, humanismo e sensibilidade.
Eu quero dizer para os senhores, e para todos, que esta carteira, para exercer a profissão de médico, não estão entregando ao Marco Aurélio. Estão entregando aos pais, porque Marco Aurélio não poderá exercer aqui a medicina, aqui conosco.
Porque Deus e os deuses queriam que ele exerça nas estrelas", disse com a voz embargada.
Em dezembro de 2025, a Universidade Anhembi Morumbi, onde o jovem estudava, concedeu um diploma póstumo ao Marco Aurélio.
Marco Aurélio foi morto com um tiro à queima-roupa durante uma abordagem policial na madrugada de 20 de outubro de 2024, na Vila Mariana.
A confusão começou quando Marco Aurélio deu um tapa no retrovisor de uma viatura que passava pela Rua Cubatão e correu para dentro de um hotel, onde estava hospedado com uma amiga.
No veículo estavam os PMs Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado.
Após o tapa no retrovisor, os policiais desceram da viatura e seguiram o estudante até o saguão do hotel. Nas imagens, Guilherme aponta o revólver e grita “você vai tomar”, enquanto tenta puxar o jovem pelo braço.
PM que matou estudante de medicina em SP contou versões diferentes do crime.
A vítima foi levada para o Hospital Ipiranga, mas não resistiu aos ferimentos. A unidade estava superlotada e sem equipamento de tomografia, segundo a ficha de atendimento médico.
No boletim de ocorrência, os PMs afirmaram que o estudante resistiu à abordagem, “entrou em vias de fato com a equipe” e tentou pegar a arma de Bruno — o que, segundo os vídeos, não aconteceu.
Apesar dos pedidos de prisão preventiva da família da vítima, os policiais respondem ao crime de homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima em liberdade.
No último dia 29, a Justiça determinou que os PMs serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. A data do júri popular ainda não foi definida.
De acordo com a nota enviada pela defesa da família de Marco Aurélio, além de decidir pela manutenção da pronúncia, o TJSP manteve as duas qualificadoras atribuídas ao caso: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A assistência de acusação afirma que a manutenção das qualificadoras representa o entendimento, nesta fase do processo, de que existem elementos suficientes para que essas circunstâncias sejam analisadas pelo Tribunal do Júri.
A decisão não representa uma condenação dos policiais. A pronúncia apenas determina que o caso seja levado ao julgamento popular, que será responsável por decidir sobre a responsabilidade dos réus.
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