Ir para o conteúdo

Quinta-feira, 1 de outubro de 2026 | Corumbá - MS | 26°C Parcialmente nublado

Brasil

Congresso tem 24 meses para regulamentar mineração em terras indígenas

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, nesta quinta-feira (13), por maioria, a decisão do ministro Flávio Dino que deu 24 meses para o Congresso regulament

2 min de leitura
Brasil — imagem padrão

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, nesta quinta-feira (13), por maioria, a decisão do ministro Flávio Dino que deu 24 meses para o Congresso regulamentar a exploração de minérios em terras indígenas.

Com isso, o julgamento da matéria foi concluído.

O processo foi apresentado por organizações do povo Cinta Larga, de Rondônia e Mato Grosso. A Constituição prevê que a pesquisa e a lavra mineral nessas áreas dependem de autorização do Congresso, consulta às comunidades afetadas e participação dos indígenas nos resultados.

A regulamentação está parada há mais de 37 anos.

A advogada Marilda de Paula Silveira, que representou os Cinta Larga, criticou a demora.

O que a gente está dizendo para os indígenas, de outra forma, é que a gente consegue regulamentar meios de comunicação digital, bets, agricultura e mineração privada, mas a gente não consegue regulamentar o direito dos indígenas de exercer o seu direito, a sua prerrogativa constitucional de ter o usufruto dos ganhos do solo que sempre foi deles.

A decisão também determinou que a União combatesse e retirasse o garimpo ilegal das terras Cinta Larga, com um plano específico de desintrusão na terra indígena Roosevelt.

O ministro Flávio Dino sustentou que o próprio Supremo já reconheceu uma omissão semelhante no caso de Belo Monte e fixou prazo para o Congresso regulamentar a questão.

Nós tivemos um pronunciamento no sentido de reconhecer a omissão, a mesma omissão que nós estamos debatendo nesses autos, no referendo da medida cautelar no mandado de injunção 7490.

Então, nós temos um precedente do plenário reconhecendo a existência da omissão inconstitucional, friso, decisão referendada por unanimidade.

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu que a decisão não fosse confirmada. Para a União, a Constituição não garante aos indígenas um direito imediato à exploração mineral, que dependeria de regulamentação pelo Congresso.

Representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil também fizeram ressalvas e afirmaram que não há consenso entre os povos indígenas sobre a mineração.

Eles defenderam consulta livre, prévia e informada antes de qualquer decisão.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, ficou parcialmente vencido no julgamento, mas acompanhou o prazo de 24 meses. Fux e Mendonça estavam ausentes na proclamação do resultado.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Brasil